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Da cana-de-açúcar à carne: trajetória de Roberto Perosa na Abiec

Ex-secretário do Mapa vê futuro promissor na Ásia e África para a proteína brasileira

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Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

26/12/2025 - 08:00

Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Foto: Abiec/Divulgação
Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Foto: Abiec/Divulgação

“O meu maior prazer hoje é ir visitar a fazenda e ver as novilhas que eu cuido”. O descendente de italianos, Roberto Perosa, 47, nem sempre esteve envolvido na pecuária bovina, mas mesmo assim desde janeiro, assumiu o cargo de presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). 

Paulistano de nascença, Perosa herdou do pai uma propriedade em Urupês (SP), local em que passou os primeiros anos de vida. A área hoje é composta por 80% de lavoura de cana-de-açúcar e 20% de pecuária de corte. “Diz que é o olho do dono que engorda o gado, então eu vou lá pelo menos uma vez, duas vezes ao mês”, relata ao explicar que as visitas à propriedade são mais espaçadas devido à demanda de viagens. 

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Os embarques e desembarques aumentaram depois que a Perosa recebeu a missão de redefinir a atuação da Associação, que representa empresas responsáveis por 98% das exportações de carne bovina do Brasil. A diretriz dada a Perosa foi internacionalizar as ações da entidade, com planos que incluem abrir escritórios em países estratégicos e ampliar a presença em mercados de produtos com maior valor agregado. Confira, a seguir, alguns trechos da entrevista exclusiva concedida ao Agro Estadão.  

Como começou a sua trajetória no Agro até chegar à liderança na Abiec?

O meu avô por parte de pai veio da Itália e se estabeleceu no interior de São Paulo. As lembranças que tenho mais firmes são dos meus avós paternos que começaram no cultivo do café. Meu pai herdou uma das propriedades do meu avô, que depois migrou para cana porque é uma região com muitas indústrias de cana. Então, eu fiz toda a minha, vamos dizer assim, a minha convivência no agro na cana-de-açúcar. Me formei em Direito e trabalhei por 15 anos em uma empresa do setor de cana. Passei por outros trabalhos e fui depois para a Orplana [Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil]. Em 2023, recebi o convite do vice-presidente, Geraldo Alckmin, juntamente com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, para ser secretário da área internacional do Mapa [Ministério da Agricultura e Pecuária]. E foi muito intenso. Então, eu acho que tudo isso me qualificou para novos desafios. E então fui convidado para liderar a Abiec nesse momento tão importante da carne bovina brasileira, um momento de alta produção e de alta capilaridade nas vendas internacionais, mas sem desguarnecer o mercado interno que é o nosso mercado mais importante. 

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Roberto Perosa Abiec
Em setembro, Perosa representou a ABIEC em audiência pública sobre a Seção 301 em Washington. Foto: Redes Sociais/Reprodução

A escolha do senhor como presidente da associação pode ser vista como uma mudança de rumos. Quais foram as diretrizes que os associados passaram para o seu mandato?

O viés que a associação vinha tendo, muito útil inclusive, era um viés muito técnico. Existiam muitas questões técnicas a serem discutidas no Brasil por causa dessa transformação que passou a cadeia bovina, então, era importante ter uma discussão técnica e ainda existem muitos desafios que continuam sendo debatidos. Mas o principal drive de mudança colocado pelo conselho [da Abiec] foi a questão da internacionalização. Abrimos um escritório na China e temos previsão de abertura de novos escritórios fora do país. Além disso, a abertura de novos mercados, a conquista de mercados complementares, como dos miúdos, e também a manutenção dos mercados que já estão abertos. Então esse diálogo internacional é um grande foco que a associação tem hoje.

Presidente, voltando ao ponto dos escritórios, onde seriam?  

Temos três escritórios para abrir como meta durante a minha gestão. Abrimos o da China e devemos ter um escritório na União Europeia em Bruxelas. Também estudamos, eventualmente, a abertura de escritório nos Estados Unidos. Mesmo antes do tarifaço, a gente já estava programando para abrir um escritório lá, vamos pensar nisso a partir do ano que vem. 

Com a experiência de quem já chefiou a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, como o senhor enxerga o futuro das exportações de carne bovina brasileira com esse cenário geopolítico atual? Vai ter demanda?

Com a experiência de secretário, eu falo como presidente da Abiec e acho que a demanda por carne bovina vem crescendo e principalmente numa região do globo que tinha pouco acesso à carne bovina, o Sudoeste Asiático. O Brasil, com a oferta que tem, é capaz de atender os mercados do Oriente Médio, da Ásia e do Sudoeste Asiático, que têm uma demanda crescente. O nosso foco está lá. É claro que daqui a 10 anos ou 15 anos, pode ser que a África seja um novo destino se houver o incremento de renda do povo africano. Então, eu acho que há um futuro muito promissor para a carne bovina brasileira. De um lado, há essa demanda da Ásia, que já está aumentando, e uma demanda futura da África.  Do outro lado, a capacidade de produção do Brasil pode crescer muito. Temos pastagens degradadas que podem ser convertidas para pastos bem manejados. Temos o conceito ILPF, Integração-lavoura-pecuária-floresta, enfim, nós temos a questão do Plano ABC, nós temos várias iniciativas que vão fazer com que a nossa produtividade aumente. Então, aumentando a nossa produção e aumentando a demanda por essa carne bovina, eu acho que há um encontro, uma convergência de necessidades.

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