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Além do campo: agricultura transforma vidas no maior centro urbano do país
Horta urbana com sistema de hidroponia promove inclusão social, capacitação e combate a insegurança alimentar

Sabrina Nascimento | São Paulo
09/02/2025 - 08:30

A agricultura pode ser uma alternativa para promover inclusão social e combater a insegurança alimentar, mesmo nos centros urbanos. No Instituto Hondatar, braço social do Hondatar Advogados, essa ideia se concretiza por meio da hidroponia. A técnica de cultivo sem solo permite o plantio em pequenos espaços, como lajes e paredes.
Com foco na capacitação profissional e geração de renda, o projeto cria oportunidades para populações vulneráveis em São Paulo. Parcerias estratégicas, como a com o Sistema Faesp/Senar-SP, permitem ao Instituto ensinar técnicas agrícolas adaptadas ao meio urbano, promovendo inclusão produtiva e autonomia financeira.
Em conversa com o Agro Estadão, o presidente do Instituto Hondatar, Helcio Honda, detalhou as iniciativas do projeto e destacou a importância da agricultura urbana como ferramenta de transformação social.
O Instituto Hondatar tem se destacado por ações sociais voltadas à segurança alimentar. Como surgiu essa iniciativa e qual é o propósito central do projeto?
O Instituto Hondatar nasceu aqui dentro do escritório ao qual sou sócio, o escritório de advocacia Hondatar. Nós sempre tivemos fortes políticas de ESG [governança ambiental social e corporativa], e uma bandeira dentro desse pilar é o social, então, sempre apoiamos e fizemos ações dentro desse pilar. Então, criamos o Instituto, que fica na Vila Mariana, em São Paulo, perto de uma comunidade chamada Mário Cardim, com quase 5 mil pessoas. O foco de instalarmos a base ali, é justamente para estar perto da comunidade, promovendo capacitação e cursos, principalmente para jovens e crianças, para que eles possam ter uma outra alternativa, que não seja voltada para práticas não legais. Uma das ações promovida é através de um convênio com o Sistema Faesp/Senar-SP para a instalação de uma horta hidropônica.
Como surgiu a ideia da horta hidropônica e quais são os impactos esperados para comunidade atendida pelo Instituto?
Hoje, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o mundo enfrenta uma grande insegurança alimentar. No Brasil, o IBGE aponta que 41% da população sofre algum tipo de insegurança alimentar. Isso representa mais de 100 milhões de pessoas, o que é bastante gente. Diante disso, qual é o propósito de criarmos uma horta hidropônica? Nós estamos trazendo líderes comunitários e outras pessoas para compartilhar a prática do cultivo de produtos agropecuários com aqueles que não têm acesso à terra. A horta hidropônica pode ser instalada, por exemplo, em uma laje ou até em uma parede. Com isso, queremos capacitar as comunidades mais carentes e oferecer uma possibilidade de geração de renda adicional para essas pessoas.


Quem ministra os cursos voltados para a agricultura urbana dentro do Instituto?
Todos os cursos e treinamentos são ministrados pelo Sistema Senar-SP, que é altamente qualificado. Essa parceria visa capacitar as pessoas, melhorar sua qualidade de vida e oferecer novas atividades, como a agricultura urbana, mesmo para aqueles que vivem na cidade. Nosso objetivo é levar esse conceito adiante.
Então, existe a intenção de expandir o projeto?
Sim, perfeitamente. Vamos expandir esse conceito para várias comunidades, com o objetivo de melhorar a insegurança alimentar. Esse é o foco central do projeto. A horta hidropônica foi criada há pouco tempo, no ano passado, mas nosso objetivo é expandi-la ainda mais, porque é um projeto de grande impacto. Para se ter uma ideia, além de presidente do Instituto Hondatar, eu também presido a ABCP (Associação Beneficente & Comunitária do Povo), uma entidade que trabalha com moradores de rua. Nosso trabalho consiste em retirá-los das ruas, capacitá-los e, depois, orientá-los para o emprego ou empreendedorismo. Nesse caso, estamos formando uma turma de moradores de rua para se tornarem agricultores, especializados em hidroponia.
Além da hidroponia, o Instituto planeja utilizar outros sistemas de produção de alimentos para capacitar e reinserir essas pessoas na sociedade?
Sim, nós temos vários cursos de capacitação e vamos ter um curso de aproveitamento dos alimentos. Nós vamos fazer um convênio com o Sistema FAESP/Senar-SP também para treinar as pessoas para que possam utilizar melhor os alimentos, com materiais que normalmente são descartados. E nós já fazemos esse trabalho de reaproveitamento, pois parte da produção da horta hidropônica é utilizada para a produção das sopas que distribuímos todas as sextas-feiras, na região da Cracolândia, São Paulo. A outra parte, vai para o projeto NATO, voltado para a gastronomia, onde as pessoas aprendem a fazer massas, risotos, entre outros, sempre pensando no reaproveitamento dos alimentos.
Como o senhor avalia a importância do agronegócio no desenvolvimento de todos esses projetos?
O agro é fundamental. Muitas vezes, quando pensamos no agronegócio brasileiro, associamos imediatamente as grandes fazendas. Porém, com a questão das hortas urbanas, qualquer pessoa pode começar a cultivar em casa, até mesmo sem ter terra. Isso torna o agro acessível para todos. Nosso grande projeto é levar esse conceito para as comunidades carentes, incentivando as pessoas a se tornarem agricultoras. Não é necessário ser fazendeiro ou ter terra, se você tem uma laje ou uma parede, pode começar a cultivar. É uma excelente alternativa.
Os interessados em participar ou apoiar o Instituto Hondatar podem ir pessoalmente à sede localizada na Rua Gandavo, 363, Vila Mariana (SP), ou entrar em contato através do telefone: (11) 5242-6162.

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