Economia
Taxação dos EUA acelera recuo no mercado do boi gordo
Diante de incertezas, frigoríficos testam preços e arroba do boi China recua R$ 4,00 em um dia
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
15/07/2025 - 12:15

O mercado da pecuária segue pressionado diante da possibilidade das exportações brasileiras serem taxadas em 50% pelos Estados Unidos, segundo maior país comprador, a partir de 1º de agosto. Como efeito, as cotações do boi gordo e do boi padrão China registram queda no mercado físico.
Dados da Scot Consultoria mostram que na segunda-feira, 14, a cotação do boi gordo comum caiu R$ 3,00 por arroba e o de ‘boi China’ teve baixa diária R$ 4,00 por arroba, com negociação média, respectivamente, em R$ 305,00 e R$ 310,00 por arroba, a prazo.
O economista e analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, explica que a decisão do governo norte-americano acelerou as baixas de preços, adicionando uma pressão extra no mercado do boi gordo. “É um adicional de pressão importante para considerarmos neste momento, pois gerou muita turbulência no mercado do boi, com grandes indústrias saindo das compras”, afirmou.
De acordo com Iglesias, diante do cenário atual, os frigoríficos estão tentando fazer compras em patamares mais baixos, com isso, há recuo das cotações e escalas de abate maiores, com uma maior oferta de animais confinados.
O mesmo cenário é observado pela HN Agro. No entanto, Hyberville Neto, diretor da consultoria, avalia que, apesar da pressão, o movimento não representa um derretimento do mercado. “Os frigoríficos, muitos deles fora das compras, estão testando o mercado, o que fez as cotações cederem um pouco. Mas estamos falando mais de barulho, de fumaça, do que de um derretimento efetivo. O mercado está pesado, sim, mas boa parte dessa pressão vem do uso das escalas que já estavam mais alongadas”, destacou.
Segundo ele, os frigoríficos fazem pressão nas negociações enquanto também tentam entender melhor os desdobramentos do cenário externo. “Existe essa pressão de baixa, mas ela não tem sido acompanhada por um aumento equivalente na oferta. Por isso, em várias regiões, as escalas estão sendo consumidas para sustentar esse movimento. Em algumas praças, inclusive, houve redução das escalas nos últimos dias, usadas para bancar essa pressão”, disse.
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