Economia
Paraná tem quebra de 4% da safra de soja e alta na produção de feijão
Deral também apresenta estimativas para safras de milho, cebola e batata
Redação Agro Estadão
03/02/2025 - 15:27

A safra de soja 2024/25 do Paraná deve render uma produção de 21,3 milhões de toneladas ao final da colheita. O número representa uma quebra de 4% em relação ao valor previsto inicialmente pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mas ainda supera em 15% as 18,5 milhões de toneladas obtidas no ano passado.
Segundo o agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho, a soja foi prejudicada pelas condições climáticas, principalmente entre o período de meados de dezembro e janeiro. “O número atual é particularmente frustrante quando observadas as ótimas condições de lavoura apresentadas até meados de dezembro, quando ainda havia indicativo de que se pudesse estabelecer um novo recorde para a cultura”, comentou em nota.
Até o fechamento do levantamento do Deral, foram colhidos cerca de 18% dos 5,77 milhões de hectares de soja, principal produto agrícola do Paraná. O trabalho se concentra, por enquanto, nas regiões que tiveram mais problemas — oeste, noroeste e centro-oeste. No Núcleo Regional de Toledo, por exemplo, aproximadamente 84% da área já está colhida.
A produtividade média, até o momento, é de 134 sacas por alqueire (55 sacas por hectare). No entanto, mesmo em áreas próximas, pode haver grande disparidade. Na região sul do estado, por exemplo, a produtividade deve chegar a 160 sacas por alqueire (66 sacas por hectare), principalmente com a evolução dos trabalhos.
Com a perda da produtividade, a queda dos preços também preocupa os produtores. Mesmo com valorização nos preços internacionais, a correção cambial e a entrada da nova safra pressionam a cotação interna. Em 19 de dezembro do ano passado, o preço de balcão da saca era de R$ 127,57 em média. Na última quarta-feira (29), estava em R$ 117,83, um recuo de 8%.
Aumento na produção de feijão
O feijão paranaense de primeira safra já está praticamente todo colhido. A estimativa de produção é de 341,7 mil toneladas dos 169,2 mil hectares semeados no ciclo 2024/25. Para efeitos de comparação, na safra passada, foram plantados 107,8 mil hectares, com produção de 160,4 mil toneladas.
A produtividade média paranaense é de 2.020 quilos por hectare. A região sul do estado, que concentra 74% do plantio, se destacou com chuvas mais regulares e temperaturas mais amenas. A melhor produtividade foi registrada na região dos Campos Gerais, onde foram produzidos 2.378 quilos de feijão por hectare. “Esse valor foi atingido em função de investimento em tecnologia aliada a uma condição climática excepcional, tendo em vista o ciclo curto da cultura”, ponderou Carlos Hugo Godinho.
No entanto, por conta da grande oferta momentânea, o preço sofre impactos. Segundo o Deral, alguns produtores podem recuar na intenção do plantio da segunda safra de feijão, conhecida como “da seca”. Cerca de 25% dos 365,8 mil hectares previstos já estão semeados. As lavouras têm bom desenvolvimento, com estimativa de produzir 666,8 mil toneladas.
Primeira e segunda safra de milho
A colheita da primeira safra de milho está começando agora no Paraná. Por enquanto, foram colhidos apenas 5% dos 260,7 mil hectares plantados. Segundo o Deral, a condição do produto é boa para 93% das lavouras. “A produtividade é um pouquinho melhor nas regiões em que teve chuva e a expectativa é que melhore mais”, disse Godinho.
Já a segunda safra, que deve cobrir mais de 2,5 milhões de hectares, tem apenas 9% de plantio efetivado. O retorno das chuvas em várias regiões do Paraná tende a beneficiar essa cultura e resultar em uma colheita superior a 15,5 milhões de toneladas.
Fim da safra da cebola
Com o término da safra 2024/25 da cebola no Paraná, foram colhidos 131,7 mil toneladas da hortaliça, volume 51,8% superior ao ciclo anterior. O tempo seco na virada do ano contribuiu para a agilidade da colheita, segundo o Deral.
A maior parte (47,6%) saiu dos campos de Guarapuava, seguido por Curitiba (26,1%) e Irati (17%), que são responsáveis por 90,8% da cebola colocada no mercado paranaense. Até a última semana, os produtores já tinham comercializado cerca de 92,5 mil toneladas.
O destaque negativo é o preço recebido pelo produtor. Em dezembro de 2023, a cotação estava em R$ 59,06 a saca de 20 quilos. Em dezembro de 2024, pela mesma saca, eram pagos R$ 18,99. De acordo com o Deral, o excesso de cebolas na atual safra em todo o país contribuiu para os preços baixos em todos os elos da cadeia.
Primeira e segunda safra de batata
Os produtores paranaenses já colheram 83% dos 17 mil hectares plantados de batata da primeira safra. Segundo o Deral, o produto apresenta boa qualidade. Dos nove núcleos regionais que plantam a cultura, cinco já terminaram a colheita.
Já a segunda safra de batata ultrapassa os 52% de plantio nos 11,2 mil hectares. Nada foi colhido ainda. Da mesma forma, as lavouras têm se comportado bem em pelo menos 93% das áreas. A expectativa do Deral é que as duas safras somadas resultem em 900 mil toneladas de batatas no Paraná.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Exportações no ritmo atual podem esgotar cota chinesa da carne bovina antes do 3º tri
2
Países árabes viram alternativa à China para a carne bovina brasileira
3
Por que a China rejeitou o pedido do Brasil para redistribuir cotas de carne bovina?
4
China não habilitará novos frigoríficos brasileiros pelos próximos três anos, afirma assessor do Mapa
5
Governo estuda regular cota de exportação de carne à China
6
China sinaliza forte demanda por importações de soja em 2026
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Aprobio e Abiove anunciam criação da AliançaBiodiesel
Entidades querem coordenar estratégias e consolidar representação institucional do setor
Economia
Conflito no Oriente Médio ameaça custos no agro brasileiro
Milho, soja e carnes lideram embarques ao Oriente Médio, agora sob risco de fretes mais caros com o fechamento do Estreito de Ormuz
Economia
John Deere anuncia férias coletivas e layoff em Horizontina (RS)
Complemento salarial e benefícios durante o layoff serão preservados, informa a empresa
Economia
Fim da escala 6x1 pode custar R$ 10,8 bilhões às cooperativas de Santa Catarina
Além da falta de recursos para novas contratações, a OCESC aponta escassez de mão de obra no Estado
Economia
UE coloca acordo com Mercosul em vigor de forma provisória, após aval de Argentina e Uruguai
No Brasil, Senado analisa texto e governo discute salvaguardas; tratado ainda depende do Parlamento Europeu para conclusão definitiva
Economia
Leite e arroz acumulam queda nos preços dos alimentos em 12 meses
Em janeiro, a cesta básica registrou leve retração, enquanto o índice de consumo nos lares cresceu na comparação anual, aponta Abras
Economia
Belagrícola: Justiça do PR rejeita recuperação extrajudicial
Um dos fundamentos da decisão da Justiça é que o pedido incluiu cinco empresas como um único devedor; o grupo tem menos de duas semanas para o próximo passo.
Economia
Uruguai é o 1º país a aprovar o acordo comercial entre Mercosul e UE
No Brasil, o texto do acordo foi aprovado na Câmara dos Deputados e segue para análise no Senado