Economia
Máquinas agrícolas: compras por leilões e consórcios crescem no Brasil
Modalidades são alternativas para produtores que têm pouco capital para investir ou que preferem planejar as compras

Fernanda Farias | fernanda.farias@estadao.com
08/03/2024 - 08:00

Pequenos e médios produtores têm buscado alternativas mais viáveis economicamente para renovar a frota de máquinas agrícolas, como os consórcios e os leilões. Nos últimos dois anos, a compra de maquinários em leilões cresceu 46% em uma das principais empresas leiloeiras do segmento. A Superbid Exchange tem market share de 70% no mercado brasileiro. Considerando apenas 2023, o aumento foi de 13% em relação ao ano anterior.
É que para comprar uma máquina agrícola nova, o produtor rural precisa desembolsar um bom dinheiro. O preço de uma colheitadeira de grãos, por exemplo, varia bastante de acordo com a marca, o modelo, ano de fabricação, entre outros itens, e pode somar milhões. Por isso, as compras são normalmente feitas por meio de financiamentos, o que depende de ter crédito nas instituições financeiras. Além disso, para investir em novas tecnologias é preciso ter bons resultados nas colheitas, aumentando o capital de giro do produtor.
O diretor técnico da Superbid Exchange, Marcelo Bartolomei Pinheiro, explica que a crise externa e os fatores econômicos afetaram a indústria nacional, o que acabou impulsionando a procura pelos leilões dentro do agronegócio.
A plataforma de leilões existe há 20 anos e atua na América Latina em vários segmentos. No Brasil, o agronegócio é parte relevante da carteira de clientes. “Hoje o agro representa 30% dos nossos negócios, somando mais de 100 mil compradores”, afirmou Pinheiro, ao Agro Estadão.


Tratores são os mais procurados nos leilões; ticket médio é de R$ 120 mil
O ticket médio das máquinas vendidas em leilões na plataforma Superbid Exchange é de R$ 120 mil. Os tratores agrícolas são os itens mais procurados, representando 27,4% do total de vendas. Em seguida vêm implementos especiais (12,8%) e transbordos (12,2%).
Uma das mudanças que têm ocorrido no setor, é o tempo útil do maquinário vendido em leilões. O diretor técnico da empresa conta que o trator vinha com mais de dez anos de uso e com deterioração, o que mudou de cinco anos para cá.
“A gente observa que as empresas trocam muito o maquinário em busca da eficiência operacional, então, temos modelos que são lançamentos, o que é super atrativo para pequenos e médios produtores”, avalia Pinheiro. Segundo ele, as máquinas vendidas na plataforma têm em média cinco anos de uso e vida útil alongada.


Consórcios de máquinas agrícolas são alternativa para o produtor descapitalizado
O consórcio para veículos pesados cresceu 11,8% em 2023, comparado a 2022, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). Foram comercializados R$ 46,76 bilhões em créditos e, neste volume, estão operações de consórcios de máquinas agrícolas, como tratores, plantadeiras e colheitadeiras.
O consórcio de máquinas agrícolas funciona como o consórcio de qualquer outro bem: o participante adquire uma ou mais cotas, pode dar lances antecipados ou esperar ser sorteado. O que chama atenção no agro são os custos, se comparados a financiamentos para compra das máquinas.
O gerente comercial do Consórcio New Holland, Eyji Cavalcante, explica que a carteira oferece operações com taxas de administração de 1,5%. “É um custo bem atrativo para o produtor rural”, comenta.
A marca oferece crédito de R$ 178 mil até R$ 4 milhões, com parcelas semestrais. Em 2023, vendeu R$ 1,3 bilhões de crédito, valor considerado recorde histórico em vendas. “ A escassez do crédito e a taxa de juros acima da média permite que o cliente abra a visão para novas modalidades financeiras”, afirma Cavalcante.
Ele explica que o consórcio atende do pequeno ao grande agricultor; desde o que não tem acesso à linha de crédito até aquele produtor que planeja a renovação de frota com 2,3 ou 4 anos de antecedência. O gerente conta que Rio Grande do Sul e Bahia têm se destacado na procura por essa modalidade de compra.
“Considerando regiões, a procura é muito sazonal e depende das condições da safra e da colheita do ano. Mas no ano passado, houve uma movimentação muito positiva no Rio Grande do Sul, apesar dos problemas com a safra”.
Vendas de máquinas novas caíram em 2023 e cenário deve permanecer em 2024
Levantamentos do setor especializado mostram que as vendas de máquinas agrícolas novas caíram em 2023 e devem continuar em baixa em 2024.
Segundo a ABIMAQ, a redução foi de 23,2% no ano passado, cerca de R$ 9 bilhões a menos que no ano anterior. A entidade projeta queda entre 10% e 15% para o próximo ano. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) estima redução de 11% nas vendas de máquinas agrícolas em 2024.
Confira aqui empresas de leilões e consórcios de máquinas agrícolas
- Superbid Exchange – www.superbid.net
- Sodré Santoro – www.sodresontoro.com.br
- Consórcio New Holland – www.consorcionewholland.com.br
- Zema Consórcio – www.consorciozema.com.br
- Embracon – www.embracon.com.br

Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Tarifa: enquanto Brasil espera, café do Vietnã e Indonésia pode ser isento
2
COP 30, em Belém, proíbe açaí e prevê pouca carne vermelha
3
A céu aberto: produtores de MT não têm onde guardar o milho
4
Fazendas e usinas de álcool estavam sob controle do crime organizado
5
Exportações de café caem em julho, mas receita é recorde apesar de tarifaço dos EUA
6
Rios brasileiros podem ser ‘Mississipis’ do agro, dizem especialistas

PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas

Economia
Exportadores de café temem mais obstáculos com aplicação da Lei de Reciprocidade
Missão parte na próxima semana para os EUA para negociar a inclusão do café na lista de exceções da tarifa norte-americana

Economia
Brasil e China firmam acordo para exportação de sorgo
Atualmente, a China importa 7 milhões de toneladas do cereal por ano, sobretudo dos Estados Unidos.

Economia
Agroindústria tem o pior junho desde 2019, aponta FGV
Produção teve recuo de 0,7% entre janeiro e junho de 2025; analistas alertam para efeitos do tarifaço nos próximos meses

Economia
Raízen vende duas usinas em MS por R$ 1,54 bilhões
Negócio ocorre após a companhia registrar prejuízo no primeiro trimestre da safra 2025/26; conclusão da transação depende do Cade
Economia
Governo autoriza inclusão de 3 hidrovias em programa de desestatização
Rotas de escoamento agrícola, a proposta é que as hidrovias do rio Madeira, Tocantins e Tapajós passem ser geridas pela iniciativa privada
Economia
Safra 2025/26 do Paraná projeta alta em soja e milho
Estimativas do Deral indicam colheita de 22 milhões de toneladas de soja e 3,2 milhões de milho; Feijão perde espaço no campo paraense
Economia
CMN regulamenta prestação de informações do Proagro
Agentes financeiros deverão seguir formulário e prazo definidos pelo Banco Central em disputas judiciais
Economia
RS: colheita de trigo tem ritmo lento
Segundo Emater/RS, lantio do milho foi afetado por volumes altos de chuva