Economia
Justiça de MG nega pedido do BB e mantém proteção ao grupo Montesanto Tavares
A decisão também ressalta que a concessão antecipada tem o objetivo de assegurar que a empresa tenha tempo para estruturar adequadamente o pedido de recuperação judicial
Broadcast Agro
28/03/2025 - 18:30

O desembargador José Eustáquio Lucas Pereira, da 21ª Câmara Cível Especializada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), indeferiu, na quarta-feira, 26, pedido de tutela recursal apresentado pelo Banco do Brasil (BB) contra decisão que prorrogou a tutela cautelar antecedente e considerou tempestivo o pedido de recuperação judicial do Grupo Montesanto Tavares (GMT). A decisão mantém a suspensão das execuções contra o grupo, que busca reestruturar dívidas de cerca de R$ 2,13 bilhões.
No agravo de instrumento, o BB, principal credor do GMT, com aproximadamente R$ 742 milhões a receber, argumentou que o prazo de 60 dias previsto no artigo 20-B, ?1º, da Lei 11.101/2005 (Lei de Recuperação Judicial) é improrrogável. Segundo o banco, o pedido principal de recuperação judicial foi apresentado fora do prazo legal, o que acarretaria a perda da eficácia das tutelas cautelares já concedidas.
O relator, no entanto, entendeu que não há impedimento à prorrogação da suspensão antecipada das execuções. “Isso porque o referido artigo prevê uma hipótese de stay period especial, de natureza cautelar. Se esta é a natureza da suspensão das execuções feita em caráter antecedente, natural que se admita a hipótese de sua prorrogação”, escreveu.
Ele destacou que essa prorrogação é possível desde que não ultrapasse o limite de 180 dias previsto no artigo 6º da mesma lei, que pode ser prorrogado uma única vez. “A suspensão em caráter antecedente será possível enquanto houver dia para ser descontado do stay period, como ocorre no caso em exame”, afirmou.
A decisão também ressalta que a concessão antecipada dos efeitos do stay period tem por objetivo assegurar que a empresa tenha tempo para estruturar adequadamente seu pedido de recuperação judicial, nos termos do artigo 51 da lei. O magistrado afirmou, ainda, que a aplicação rígida do prazo do artigo 308 do Código de Processo Civil comprometeria a efetividade da medida e tornaria inviáveis os princípios da preservação da empresa e da função social.
O GMT, responsável por cerca de 8% das exportações brasileiras de café arábica, enfrenta dificuldades financeiras desde a safra 2021/22, quando eventos climáticos extremos afetaram aproximadamente 24 milhões de sacas de café no sul de Minas Gerais, segundo estimativas do setor. O grupo foi obrigado a adquirir o produto a preços elevados para cumprir contratos internacionais. A crise foi agravada pela valorização do café no mercado global, superior a 120% no último ano, e pela desvalorização do real frente ao dólar.
Um dos pontos centrais da disputa judicial é a inclusão dos Adiantamentos sobre Contrato de Câmbio (ACCs) na recuperação. O TJ-MG já havia concedido liminar determinando que o stay period se aplique também a esses contratos, que normalmente não se submetem à recuperação judicial. O advogado do grupo, Daniel Vilas Boas, sustenta que os ACCs “não são verdadeiros adiantamentos, mas sim empréstimos comuns, sem vínculo com exportações específicas”.
O processo abrange quatro empresas: Atlântica Exportação e Importação, Cafebras Comércio de Cafés do Brasil, Montesanto Tavares Group Participações e Companhia Mineira de Investimentos em Cafés. Com o processamento da recuperação judicial aprovado pela 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, o grupo tem agora 60 dias para apresentar o plano de reestruturação, que precisará ser submetido à aprovação dos credores em assembleia.
Além do Banco do Brasil, a lista de credores inclui Santander (R$ 159 milhões), Banco Pine (R$ 154 milhões), Bradesco, BTG Pactual, Itaú Unibanco, Banco do Nordeste e a Cargill.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Exportações no ritmo atual podem esgotar cota chinesa da carne bovina antes do 3º tri
2
Países árabes viram alternativa à China para a carne bovina brasileira
3
China não habilitará novos frigoríficos brasileiros pelos próximos três anos, afirma assessor do Mapa
4
China sinaliza forte demanda por importações de soja em 2026
5
Governo estuda regular cota de exportação de carne à China
6
Fila de caminhões trava escoamento da safra pelo porto de Miritituba; veja o vídeo
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Banco do Brasil projeta acolher R$ 1 bi em financiamentos na Expodireto Cotrijal
Banco acredita na recuperação gradual do caixa do produtor gaúcho com a produtividade preservada e ajustes financeiros
Economia
Preços globais dos alimentos sobem após cinco meses de queda
Alta de 0,9% em fevereiro foi impulsionada por trigo, óleos vegetais e carnes, segundo FAO
Economia
Nota de crédito da Raízen sofre novo corte em meio à reestruturação
Entre as medidas de reestruturação, Raízen estuda recorrer a um processo de recuperação extrajudicial.
Economia
Exportações de carne bovina crescem 23,9% em fevereiro
Exportações de carne de frango e suína também crescem em fevereiro, com alta em volume e faturamento
Economia
China define menor meta de crescimento em mais de três décadas
Meta reflete cautela de Pequim diante de demanda interna fraca, crise no setor imobiliário e incertezas no cenário econômico global.
Economia
Aprosoja-MT critica impacto da ‘taxa do agro’ e pede mudanças no Fethab
Entidade diz que, com custos altos, crédito escasso, clima adverso e inadimplência crescente, o Fethab encarece ainda mais a produção no campo
Economia
Vendas de tratores recuam 17,1% em janeiro frente a 2025
Para a Fenabrave as vendas de tratores refletem a piora nas condições de financiamento do setor e o aumento do custo do crédito rural
Economia
Brasil vai exportar carne bovina e de frango para as Ilhas Salomão
A nova autorização amplia a presença do agronegócio nacional no mercado do arquipélago composto por mais de 900 ilhas