Economia
China deve importar menos carne e redesenhar comércio global
Até 2034, o consumo de frango deve superar as carnes bovina e suína, aponta relatório da OCDE-FAO
Redação Agro Estadão
04/08/2025 - 12:54

Nos próximos dez anos, o consumo global de carnes deve crescer 47,9 milhões de toneladas, conforme o novo Relatório da OCDE-FAO Agricultural Outlook 2025-2034. Apesar da expansão, o aumento no consumo per capita será de apenas 0,9 quilos por pessoa ao ano — alcançando 29,3 quilos por ano até 2034.
Segundo a projeção, a carne de frango segue como protagonista do crescimento mundial. O consumo dessa proteína deve aumentar 21% até 2034, superando o crescimento das carnes ovina (16%), bovina (13%) e suína (5%). As estimativas indicam uma mudança nas preferências alimentares, com consumidores, especialmente em países desenvolvidos, priorizando carnes mais leves, como a de frango, em detrimento de carnes vermelhas, por motivos de saúde, sustentabilidade e bem-estar animal.
Em países de alta renda, onde o consumo per capita é elevado, o crescimento tende a desacelerar. O levantamento mostra que, regiões como Canadá e União Europeia devem manter um consumo estagnado, com destaque para a substituição gradual da carne bovina, suína e ovina pela carne de frango. Em 2024, estes países representaram 35% do consumo global, com 17% da população mundial.
China deve reduzir importações
Um dos destaques do relatório é a redução da dependência da China nas importações de carne, especialmente suína e de frango. A participação do país nas importações globais deve cair de 20% para 16%, afetando a produção nos principais países exportadores.
Esse novo comportamento chinês impacta diretamente o comércio mundial: o crescimento das importações globais de carne será de apenas 10%, bem abaixo dos 37% registrados na década anterior.
Conforme o relatório, países exportadores, como o Brasil, que deve atingir novos recordes de exportação de carne bovina, precisam se adaptar ao novo cenário, que traz riscos significativos em caso de adoção de medidas protecionistas no comércio internacional.
Países em desenvolvimento consumindo mais
Cerca de 45% do crescimento global no consumo de carne virá de países de renda média-alta, como Brasil, Indonésia, Filipinas, Estados Unidos e Vietnã. A África, que deve ver a sua população saltar de 1,5 bilhão para 1,8 bilhão até 2034, também desempenha um papel importante, com crescimento de 33% no consumo de carne no continente, de acordo com o Agricultural Outlook 2025–2034.
Já do lado da produção, o crescimento será liderado pela Ásia (55% do aumento total), puxada pela recuperação da China após a Peste Suína Africana e pelo avanço da Índia, Vietnã e depois Estados Unidos. “A América Latina, especialmente o Brasil, também ganhará participação na produção global, aproveitando suas vantagens em terra, genética e alimentação animal”, aponta o documento.
A produção mundial de carne deverá crescer 13%, ou 46 milhões de toneladas equivalente carcaça, atingindo 406 milhões de toneladas até 2034.
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