Economia
Auditores fiscais agropecuários pedem mais profissionais para prevenir o retorno da aftosa ao Brasil
Alemanha não registrou mais nenhum caso de febre aftosa, confirmou Ministério da Agricultura alemão
Paloma Custódio | Brasília
16/01/2025 - 14:52

A confirmação do primeiro surto de febre aftosa na Alemanha em quase quatro décadas deixou os auditores fiscais brasileiros em alerta sobre a necessidade de uma fiscalização intensa no Brasil. Ao Agro Estadão, o diretor de Comunicação do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Montemar Onishi, disse que para que não ocorra a reintrodução da doença no país, todo o sistema de vigilância das fronteiras deve funcionar continuamente, principalmente portos e aeroportos.
Para ele, é fundamental aumentar o quadro de profissionais que atuam na Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), já que o risco de entrada do vírus é pela entrada de animais e produtos de origem animal que estejam contaminados.
“A atual infraestrutura do Vigiagro já trabalha no limite de suas capacidades. Temos visto um aumento de volume de passageiros e mercadorias agropecuárias, e atuamos com a mesma quantidade de auditores fiscais federais agropecuários — ou com número até menor, considerando que os concursos não têm sido realizados na mesma quantidade de servidores que têm se aposentado — sem infraestrutura adequada, o que dificulta muito o atendimento em caso de crises sanitárias”, pontua.
Segundo Montemar Onishi, atualmente, 291 auditores fiscais federais agropecuários atuam no sistema Vigiagro em portos, aeroportos e fronteiras terrestres de todo o Brasil. “Para alcançarmos um cenário ideal, seria necessário dobrar o número de servidores atuando na Vigilância Agropecuária Internacional”, avalia.
A equipe do Agro Estadão entrou em contato com o Ministério da Agricultura e Pecuária para saber se há previsão de abertura de concurso público para ampliar o quadro do Vigiagro, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem.
Mesmo trabalhando no limite de suas capacidades, Onishi diz que “os auditores fiscais federais agropecuários estão prontos para aumentar a fiscalização frente a esse novo desafio, mesmo sem a infraestrutura ideal. Reiteramos que é fundamental manter a vigilância nas fronteiras e estar preparado para investigar as suspeitas e eliminar qualquer foco da doença rapidamente caso ocorra”.
Alemanha não tem mais casos de aftosa
A Alemanha não encontrou mais nenhum caso de febre aftosa em seu território, confirmou o ministro da agricultura alemão, Cem Oezdemir. Segundo informações da Reuters, o governo está trabalhando para manter aberta as exportações de carne e laticínios para os parceiros comerciais, especialmente na União Europeia.
A Comissão Europeia informou ao governo alemão que a imposição de zonas de quarentena de 10 quilômetros ao redor da fazenda, onde a febre aftosa foi identificada, seria suficiente para impor o princípio comercial de “regionalização”. Segundo essa regra, as importações de carne e laticínios são interrompidas ou controladas somente na área diretamente afetada pela doença, enquanto outras regiões da Alemanha podem continuar exportando normalmente.
Recomendações ao produtor
O Sistema Veterinário Oficial da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi) fez algumas recomendações para os produtores:
- Estar em alerta para sintomas em animais, como: feridas na boca, nas patas, na região dos tetos, febre alta e animais babando ou mancando. Em caso de sintomas, é preciso notificar imediatamente a Inspetoria Veterinária mais próxima;
- Realizar desinfecção dos veículos que entram na propriedade, como caminhões de leite ou ração;
- Restringir o acesso de visitantes, principalmente na área onde ficam os animais;
- Comprar animais com Guia de Trânsito (GTA), uma garantia de que aqueles animais estão em dia com as obrigações sanitárias;
- Cercar bem o perímetro da propriedade.
Já para os viajantes, a principal orientação é que não tragam produtos de origem animal de forma ilegal, principalmente cárneos, como embutidos. E caso tenha ocorrido visita à exploração pecuária em área com ocorrência de aftosa, é fundamental desinfetar roupas e calçados na chegada.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Exportações no ritmo atual podem esgotar cota chinesa da carne bovina antes do 3º tri
2
Países árabes viram alternativa à China para a carne bovina brasileira
3
China não habilitará novos frigoríficos brasileiros pelos próximos três anos, afirma assessor do Mapa
4
Governo estuda regular cota de exportação de carne à China
5
Navios com farelo de soja e milho do Brasil podem não chegar ao Irã, alerta S&P
6
Fila de caminhões trava escoamento da safra pelo porto de Miritituba; veja o vídeo
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Produtores dos EUA pedem ajuda federal com disparada dos fertilizantes
Bloqueio marítimo e tarifas comerciais elevam custos e ameaçam início da nova safra no Cinturão do Milho
Economia
Belagrícola pede recuperação extrajudicial unificada
Petição apresentada à Justiça reúne apoio de 51,31% dos créditos e contesta decisão que rejeitou estrutura original
Economia
Aprosoja Brasil cobra medidas contra restrição de diesel no campo
Aprosoja alerta para risco de desabastecimento e preços abusivos após cancelamentos de entregas no RS
Economia
Protesto marca abertura da Expodireto Cotrijal no RS
Produtores gaúchos fizeram cortejo fúnebre para denunciar endividamento e cobrança de royalties
Economia
Lavoro vende gestão da distribuição agrícola no País à Arcos
Gestora assume operação de insumos no Brasil em meio à reestruturação da companhia
Economia
Guerra no Oriente Médio: alta do diesel e fertilizantes preocupa, aponta CNA
Com o Irã entre os principais destinos do milho brasileiro, setor avalia efeitos da guerra e já registra aumento nos custos logísticos
Economia
Argentina confirma 3º foco de gripe aviária em aves comerciais
Senasa delimita área de raio de 3 km e monitora movimentação de aves e insumos para evitar disseminação do vírus
Economia
Grãos disparam em Chicago com explosão do preço do petróleo
Petróleo rompe US$ 100 com guerra no Oriente Médio e favorece o setor de grãos e oleaginosas, utilizadas na produção de biocombustíveis