Economia
Arroz gaúcho perde espaço e agricultores pedem proteção na 48ª Expointer
Setor alerta para perda de competitividade frente a Paraguai e Argentina; Conab anuncia novo pacote de ajuda nesta segunda-feira
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
31/08/2025 - 05:00

Endividamento dos produtores, crédito rural mais caro e o maior estoque de passagem em sete anos. Esses são alguns dos motivos que vão levar os agricultores do Rio Grande do Sul, responsável por 70% do abastecimento de arroz nacional, a reduzirem a área na safra 2025/26.
Além disso, a competitividade com os países vizinhos do Mercosul agrava ainda mais a situação. Em entrevista ao Agro Estadão, o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Nunes, disse que vai pedir ao Governo Federal e Estadual ações protetivas ao setor durante a 48ª Expointer – que começou neste sábado, 30, em Esteio (RS). “Vamos com mais um pleito agora na Expointer, pedindo medidas protetivas para concorrer com Paraguai e Argentina, que estão muito agressivos em relação a custos”, disse.
Entre as propostas que serão solicitadas, estão cotas e até restrições a produtos agrícolas usados nos países vizinhos e proibidos no Brasil. Na avaliação do dirigente, a diferença de condições oferecidas nas outras nações faz o produtor gaúcho perder espaço. “Eles aumentam a área de produção, e o Rio Grande do Sul é obrigado a diminuir para evitar um excesso de estoque, que derrubaria ainda mais o preço. O problema é que o arroz não tem mercado futuro como soja e milho. É muito dependente do mercado interno brasileiro”, explicou.
Ele reforçou ainda a necessidade de atenção do poder público à cadeia produtiva como um todo. “As indústrias beneficiadoras do estado já chegaram a processar 70% do arroz consumido no Brasil e, hoje, respondem por cerca de 50%”, destacou.
Menos área, menor produção
A primeira estimativa de intenção de plantio do cereal em áreas irrigadas será divulgada nesta segunda-feira, 01, durante a 48ª Expointer. Apesar de não citar números antecipados, Nunes disse que não há alternativa do que uma menor produção.
Somente na propriedade dele, a área semeada neste ciclo será 15% menor. “Eu e meus sócios produzimos no ano passado 1,2 mil hectares. Esse ano será 15% a menos, cerca de 180 hectares que vão deixar de ser plantados”, afirmou.
Além dos motivos citados no início da reportagem, somou-se à decisão de Denis, o alto custo de produção — 15% superior frente ao mesmo período de 2024 — e a queda do preço da saca paga ao agricultor. De acordo com o levantamento da Scot Consultoria, no Rio Grande do Sul, a saca de 50 quilos foi negociada em média por R$ 68,80 em agosto — a menor cotação média desde 2020.
Cotação média do arroz no RS (R$ por saca de 50 kg)

“A expectativa é de redução de área. A situação está muito ruim: crédito caro, falta de dinheiro e produtores endividados. No Rio Grande do Sul, o cenário é negativo. Além disso, houve forte queda no preço recentemente. Por isso, a tendência é de diminuição na área de plantio”, destacou.
Socorro da Conab
Nesta segunda-feira, 01, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciará no estande do Governo Federal, no Pavilhão Internacional, na Expointer, medidas de apoio aos produtores de arroz do Rio Grande do Sul.
Essa será a terceira iniciativa lançada pela Conab, em menos de um ano, para socorrer os produtores gaúchos. Em agosto, a estatal promoveu leilões de contrato de opção de venda de arroz negociando 109,2 mil toneladas. Dados divulgados pela Companhia informam que foram firmados 4.044 contratos, sendo 2.934 com produtores do estado do Rio Grande do Sul. O restante foi com arrozeiros de Santa Catarina.
Nesta cerimônia, segundo nota da Conab, serão confirmados os pagamentos a agricultores que venderam arroz para a Companhia por meio da execução de Contrato de Opção de Venda (COV).
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