Economia
Algodão enfrenta pressão global e preços despencam
Mercados interno e externo sentem os efeitos de uma oferta robusta e de uma demanda enfraquecida
Redação Agro Estadão
04/09/2025 - 13:01

Os preços do algodão seguem em trajetória de baixa no mercado internacional. No fim da manhã desta quinta-feira, dia 4, as cotações na Bolsa de Nova York recuavam 0,50%, com o contrato para vencimento em dezembro de 2025 sendo negociado a US$ 65,83 centavos por libra-peso. Conforme especialistas, a perspectiva é de manutenção desse cenário de pressão.
Segundo o Itaú BBA, o quadro é influenciado pela oferta global robusta e de uma demanda fragilizada pelo baixo crescimento econômico mundial. Adiciona-se ainda incertezas comerciais e possíveis impactos das tarifas norte-americanas sobre produtos têxteis, além do enfraquecimento do mercado de petróleo que também contribui para a falta de suporte à valorização da pluma.
No aspecto da oferta, considerando a safra 2025/26, o mercado espera estoques globais em torno de 16,8 milhões de toneladas — o maior volume desde a pandemia de Covid-19, quando o acumulado remanescente do ciclo 2019/20 chegou a 18,2 milhões. Esse movimento, conforme o Itaú BBA, é sustentado pela expectativa de aumento de produção nos Estados Unidos e no Brasil. Em contrapartida, China e Índia devem registrar safras menores, porém ainda elevadas, sem grande estímulo para ampliar as importações.
“No comércio internacional, acordos entre os EUA e países asiáticos como Vietnã e Bangladesh trouxeram definições importantes, mas também desafios. Com tarifas de 20% e 35%, respectivamente, seus produtos têxteis tendem a chegar mais caros ao mercado norte-americano, o que pode reduzir a demanda por têxteis, vestuário e, consequentemente, por algodão”, apontam.
Mercado interno brasileiro
O cenário lá fora também causa pressão no mercado interno brasileiro. Com isso, pelo terceiro mês consecutivo, agosto registrou queda nos preços do algodão. Entre 31 de julho e 29 de agosto, o indicador Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias, caiu 5,49%, fechando o mês a R$ 3,90 por libra-peso.
Em agosto, o indicador registrou média de R$ 3,97 por libra-peso — queda de 3,49% em relação a julho/25 e de 3,44% frente a agosto/24. Trata-se do menor valor desde novembro/24 (R$ 3,92/lp), em termos reais. Os pesquisadores do Centro de Estudos explicam que, com o atraso da safra, a maior parte dos lotes vem sendo destinada ao cumprimento de contratos a termo, o que limitou a disponibilidade, sobretudo da fibra de melhor qualidade.
Neste contexto, a consultoria Markestrat recomenda que os agricultores analisem alternativas de comercialização. “Para o produtor, o cenário reforça a necessidade de avaliar travas de preços ou alternativas de comercialização, já que a recuperação no curto prazo depende de uma reação da demanda interna ou internacional”, indica o relatório.
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