Cotações
Preço do trigo cai e se soma a um mercado agrícola pressionado
Quedas nas cotações e cenário de incerteza desafiam o trigo e reforçam tensão em outras cadeias, como café, pecuária, soja e milho
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
22/07/2025 - 08:00

O mercado do trigo atravessa uma das fases mais delicadas da temporada. De acordo com a consultoria Markestrat, tanto os preços no mercado físico quanto os contratos futuros do cereal registraram quedas acentuadas na última semana.
No acumulado do mês (até a sexta-feira, 18), a cotação do trigo no mercado físico recuou 1,82%, enquanto, no mercado futuro, as retrações variaram entre -7,81% e -7,91%. Esse cenário de queda de preços ocorre em um momento de incertezas climáticas e dúvidas sobre a assertividade do planejamento da nova safra.
Além da pressão natural de mercado, fatores como a qualidade e a uniformidade das lavouras também têm preocupado os produtores. “O momento exige cautela, principalmente porque o setor enfrenta um ambiente que mistura desafios agronômicos e dificuldades na precificação”, avalia a Markestrat, em relatório.
No radar dos produtores, o custo de produção — impactado pelo cenário cambial e pela oscilação das commodities — impõe um desafio adicional. Além disso, no mercado internacional, a decisão da União Europeia de cortar em até 80% as importações de trigo da Ucrânia adiciona mais um componente de incerteza. “O movimento pode ter impacto direto nas exportações do bloco e, consequentemente, nos preços globais do cereal”, destaca.
Para os analistas, diante do cenário, o produtor precisará reforçar a atenção não apenas na gestão de custos e na qualidade da produção, mas também nas janelas de comercialização.
Enquanto o trigo enfrenta um mercado pressionado, outras cadeias produtivas também vivem momentos de tensão — como a pecuária, afetada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos (EUA), e o café, pressionado pela colheita e incertezas comerciais. Acompanhe:
Soja
O mercado da soja segue dividido entre o suporte do mercado físico, influenciado pelas exportações, e a pressão nos contratos futuros, afetados por realizações de lucro e expectativa de oferta confortável. “No Paraná, a soja segue valorizada junto ao trigo, indicando uma possível sustentação regional de preços. A preocupação com perdas logísticas e a qualidade do grão armazenado permanece entre os produtores, que também enfrentam desafios na tomada de decisão de venda”, aponta o relatório.
Segundo a consultoria, internamente, a iminência da tarifa de 50% dos EUA não afetou o mercado interno da soja, uma vez que ambos países são concorrentes na exportação do produto.
Milho
O milho enfrenta um cenário desafiador, com o mercado futuro pressionado por estoques elevados e competição internacional. “A postura cautelosa dos compradores e a recente pressão nos preços exigem atenção redobrada do produtor quanto ao momento ideal de venda”, indica a Markestrat.
Café
No café, a colheita continua pressionando os preços no mercado interno, enquanto o setor vive um cenário de incertezas, principalmente diante das tarifas a serem impostas pelos EUA — principal destino das exportações brasileiras.
Além disso, conforme a consultoria, o produtor enfrenta desafios no campo, como o clima instável, dificuldades no manejo e pressão de pragas e doenças, fatores que podem afetar a produtividade e a qualidade do grão na próxima safra.
Pecuária
A pecuária brasileira também atravessa um momento delicado, com pressão vinda tanto do mercado externo quanto do interno. As incertezas a respeito das tarifas sobre a carne brasileira travaram as negociações e geraram insegurança, ao passo que frigoríficos norte-americanos começaram a reduzir a produção — um sinal de alerta para o setor.
O reflexo imediato foi a retração nos preços do boi gordo e também no mercado de reposição, em que o bezerro recuou. “Apesar da recente piora na relação de troca com o boi gordo, a compra de bezerros ainda é considerada viável por alguns agentes”, traz o relatório.
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