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Frete marítimo deve ter alívio com trégua entre EUA e China, aponta Markestrat

Mercado de commodities, principalmente petróleo e soja, também devem sentir fôlego no médio prazo 

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Redação Agro Estadão

13/05/2025 - 09:05

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O anúncio de uma trégua comercial entre Estados Unidos e China levou um alívio ao mercado agrícola global no início desta semana, com os futuros da soja operando em alta na bolsa de Chicago. E, embora os detalhes do acordo que durará, previamente, 90 dias ainda não estejam totalmente claros, o pacto sinaliza um alívio nas tensões que vinham afetando o comércio internacional nos últimos meses. 

Segundo a consultoria Markestrat, a urgência norte-americana — diante de sinais de desabastecimento do mercado interno — impulsionou a trégua, que deve beneficiar, de imediato, o setor de frete marítimo internacional. Com isso, o risco de desaceleração global, que vinha elevando os custos logísticos, tende a ser temporariamente dissipado com o novo cenário. 

CONTEÚDO PATROCINADO

“A partir desse acordo, é esperado uma valorização no preço das commodities, principalmente petróleo, dado que a preocupação mundial de queda na atividade econômica mundial, protagonizada pelas duas maiores economias, terá fôlego de pelo menos 90 dias”, destacam os especialistas em relatório. 

Entretanto, para o agro brasileiro, o impacto imediato tende a ser mais limitado. A soja, por exemplo, não deve registrar uma forte valorização, já que a China havia antecipado compras do Brasil e a oferta global segue elevada. “Mesmo sob o manto desse acordo, as vantagens presentes nos produtos agropecuários brasileiros não se alteram, uma vez que a insegurança no relacionamento entre EUA/China permanece presente na imprevisibilidade do presidente Donald Trump”, alertam. 

Já o mercado de carnes pode enfrentar uma breve pausa, uma vez que os EUA também são fornecedores relevantes para os chineses. Apesar disso, a perspectiva da Markestrat é de um cenário otimista no médio prazo para todas as cadeias produtivas. 

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Acompanhe mais perspectivas da consultoria:

Soja

Apesar da desvalorização mensal nos contratos futuros de farelo, a leve recuperação registrada na semana sinaliza um mercado em busca de equilíbrio diante da demanda interna e externa, especialmente com a retomada das operações industriais. O produtor deve acompanhar de perto os movimentos da indústria de processamento e do setor de biodiesel antes de realizar novas fixações de volume.

Milho

O milho enfrenta forte retração nos preços, com quedas expressivas tanto no mercado físico quanto nos contratos futuros. A expectativa de uma safra volumosa, aliada à instabilidade cambial e à menor demanda externa, intensifica o clima de incerteza. Ao mesmo tempo, o avanço de pragas no campo eleva os custos com defensivos agrícolas. Diante desse cenário, torna-se essencial o monitoramento constante da lavoura para preservar a produtividade. A recomendação é revisar os custos operacionais da safrinha e adotar uma postura cautelosa na fixação de preços, priorizando margens mínimas viáveis com base nas condições locais e na logística disponível.

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Algodão

O mercado físico do algodão mantém trajetória de recuperação, sustentado por fundamentos internacionais e pela expectativa de exportações firmes. Os contratos futuros também reagiram positivamente na semana, embora ainda acumulem perdas no mês. O momento exige atenção do produtor para oportunidades pontuais de fixação parcial, sem perder o foco no manejo técnico da lavoura — fator determinante para alcançar produtividade e qualidade da fibra.

Cana-de-açúcar

O mercado de etanol apresentou avanço nos contratos futuros, com destaque para julho, que teve alta semanal de 1,88%, impulsionado pela expectativa de maior consumo interno e pela estabilidade no mix de produção das usinas. Por outro lado, o açúcar físico recuou na semana, refletindo a volatilidade do mercado internacional e a oscilação cambial, especialmente com a desvalorização do real frente ao dólar. O momento é de cautela: o produtor deve acompanhar a definição do mix industrial, o andamento da safra e os movimentos do câmbio, fatores decisivos para as estratégias de comercialização antecipada.

Pecuária

Após semanas de pressão, os preços do boi gordo apresentam leve reação no mercado futuro, impulsionados pelo aquecimento sazonal da demanda interna no início do mês. Ainda assim, o cenário permanece desafiador, com retração acumulada e margens apertadas no mercado spot. No mercado de reposição, o bezerro segue valorizado, refletindo a confiança no ciclo pecuário de médio prazo, mas exige cautela para garantir equilíbrio entre o custo da reposição e o potencial de engorda. A recomendação ao produtor é reforçar o controle de custos e planejar com precisão a reposição. O mercado futuro oferece melhores oportunidades, mas requer estratégia e gestão eficiente.

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