Agricultura
A praga que derruba cercas, silos e até a produtividade
Cupins causam US$ 50 bilhões em perdas globais anuais; no Brasil, preferem solos ácidos e de baixa fertilidade, ameaçando lavouras
Redação Agro Estadão*
30/12/2025 - 05:00

Segundo pesquisa da FMIPA Semarang State University, existe uma estimativa global de perda de aproximadamente 50 bilhões de dólares por ano devido aos danos de cupins, variando conforme sistema de cultivo e região.
Esses insetos sociais colonizam preferencialmente solos ácidos e de baixa fertilidade, características comuns em muitas áreas agrícolas brasileiras.
A compreensão adequada de sua biologia e comportamento é fundamental para implementar estratégias eficazes de controle e minimizar as perdas na produção.
O que são cupins e por que são uma ameaça para o agronegócio?
Os cupins são insetos sociais altamente organizados que vivem em colônias estruturadas com divisão de castas bem definidas.
Cada colônia possui operários responsáveis pela busca de alimento e construção de ninhos, soldados encarregados da defesa, e reprodutores alados que garantem a continuidade da espécie.
Essa organização social permite que ataquem culturas de forma coordenada e eficiente, tornando-os adversários para os produtores rurais.
A dependência dos cupins do solo e da umidade determina sua distribuição geográfica e comportamento. Prosperam em ambientes com alta umidade relativa e temperaturas estáveis, condições frequentemente encontradas em áreas de cultivo irrigado.
Durante períodos de seca, intensificam a busca por fontes de água, direcionando seus ataques para plantas cultivadas.
No Brasil, três gêneros de cupins destacam-se como pragas agrícolas principais. Os Nasutitermes constroem ninhos arborícolas visíveis e atacam principalmente pastagens e culturas de cana-de-açúcar.
Os Cornitermes formam montículos no solo, danificando sistemas radiculares de plantas forrageiras e culturas anuais.
Por fim, os Coptotermes são cupins subterrâneos que representam a maior ameaça para estruturas de madeira e sistemas radiculares, sendo responsáveis pelos danos mais severos em propriedades rurais.
Como os cupins afetam negativamente a produção agrícola e estruturas rurais

Danos diretos a culturas e plantações por cupins
Os cupins atacam diferentes partes das plantas, concentrando-se principalmente em raízes, caules e eventualmente frutos, dependendo da espécie.
Em plantações de eucalipto, os ataques aos sistemas radiculares reduzem drasticamente a absorção de nutrientes e água, resultando em plantas com crescimento comprometido.
A cana-de-açúcar sofre danos significativos quando os cupins perfuram os colmos, facilitando a entrada de patógenos secundários que aceleram a deterioração da cultura.
Pastagens estabelecidas experimentam declínio gradual na qualidade forrageira devido à destruição das raízes das gramíneas pelos cupins de montículo. O ataque compromete a capacidade de rebrota das plantas, criando áreas descobertas que favorecem a erosão do solo.
Culturas como milho e feijão também enfrentam problemas similares, especialmente durante os estádios iniciais de desenvolvimento, quando as plantas são mais vulneráveis.
Prejuízos em estruturas de armazenamento e construções rurais
Os cupins subterrâneos e de madeira seca representam ameaça constante para infraestruturas rurais. Silos, paióis e celeiros construídos com madeira tornam-se alvos preferenciais, com os cupins criando galerias internas que comprometem a resistência estrutural.
Cercas de madeira deterioram rapidamente quando infestadas, exigindo substituição frequente e aumentando os custos de manutenção da propriedade.
Além da destruição física, os cupins podem contaminar produtos armazenados através de suas fezes e fragmentos corporais, tornando grãos impróprios para comercialização.
Galpões agrícolas sofrem danos estruturais significativos, especialmente em componentes como pilares e vigas de madeira, colocando em risco equipamentos e insumos armazenados.
Impacto econômico e perdas na produtividade devido aos cupins
O impacto financeiro dos cupins na agricultura manifesta-se através de múltiplas perdas econômicas.
Perdas diretas de colheita ocorrem quando os ataques reduzem significativamente a produtividade das culturas, forçando replantios e atrasando cronogramas agrícolas.
Custos de reparo e substituição de estruturas danificadas consomem recursos financeiros que poderiam ser investidos em melhorias produtivas.
Despesas com controle de pragas aumentam consideravelmente quando a detecção ocorre tardiamente, exigindo tratamentos mais intensivos e caros.
A desvalorização da propriedade rural também se torna fator relevante, especialmente quando infestações persistentes comprometem a reputação comercial do produtor.
Consequentemente, a prevenção e detecção precoce representam investimentos essenciais para minimizar prejuízos econômicos.
Estratégias integradas para o controle de cupins

A prevenção constitui a primeira linha de defesa contra infestações de cupins, sendo mais econômica que tratamentos corretivos. Inspeções regulares de estruturas e plantações permitem identificar sinais iniciais de atividade, como galerias superficiais ou danos em madeiras.
A remoção de madeiras em contato direto com o solo elimina pontes de acesso para cupins subterrâneos, enquanto o controle da umidade em áreas suscetíveis reduz a atratividade do ambiente para essas pragas.
Barreiras físicas oferecem proteção duradoura quando corretamente implementadas. Telas metálicas instaladas em fundações impedem o acesso de cupins subterrâneos, enquanto areia tratada com inseticidas cria zonas de proteção ao redor de estruturas importantes.
A rotação de culturas interrompe ciclos reprodutivos dos cupins e reduz populações locais, especialmente quando combinada com escolha de variedades vegetais mais resistentes.
O controle biológico utilizando inimigos naturais representa alternativa sustentável e eficaz. Fungos entomopatogênicos como Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana infectam cupins através do contato direto, penetrando o exoesqueleto e causando morte por colonização interna dos tecidos.
Nematoides entomopatogênicos também demonstram eficácia contra certas espécies, parasitando larvas e adultos jovens.
Tratamentos químicos específicos complementam estratégias integradas quando aplicados adequadamente. Barreiras químicas criam zonas de proteção duradoura ao redor de estruturas, enquanto iscas contendo ingredientes ativos são consumidas pelos operários e distribuídas para toda a colônia.
A aplicação deve ser realizada por profissionais especializados, seguindo rigorosamente normas de segurança e preservação ambiental estabelecidas pelos órgãos reguladores.
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) representa a abordagem mais eficaz para controle de cupins, combinando estratégias preventivas, biológicas e químicas de forma coordenada.
Esta metodologia busca minimizar o uso de produtos químicos através da inteligência aplicada ao controle, adaptando ações específicas para cada situação encontrada na propriedade.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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