Pecuária
Ovelhas contra maria-mole: a técnica natural que salva o rebanho
A intoxicação por maria-mole causa lesões incuráveis no fígado e mata até 42 mil cabeças de gado por ano apenas no Rio Grande do Sul
Redação Agro Estadão*
16/01/2026 - 05:00

A maria-mole é um problema sério da criação de gado no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul.
Entre 2023 e 2024, o pesquisador Fernando Karam, do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), junto com a Emater/RS-Ascar, fez um estudo em cidades como Guaíba e Viamão que trouxe dados preocupantes.
A pesquisa mostrou que a maioria dos locais visitados tem “infestação muito alta” de maria-mole. A doença que essa planta causa nos animais, chamada seneciose (doença do fígado), mata quase 100% dos bovinos afetados.
Segundo dados oficiais da Secretaria da Agricultura do RS de 2018, no Estado, entre 7% e 14% das mortes de bovinos são causadas por intoxicação por plantas, enquanto em ovinos o índice chega a 7%.
Mais da metade das mortes bovinas decorre do contato com amaria-mole. A planta é responsável pela perda anual de 32 mil a 45 mil cabeças de gado.
O que é a maria-mole e por que é perigosa?

A maria-mole contém substâncias venenosas chamadas alcaloides pirrolizidínicos, que atacam o fígado dos animais. Só no Rio Grande do Sul existem 25 tipos diferentes dessa planta, sendo as principais a Senecio brasiliensis, S. selloi, S. oxyphyllus e S. heterotrichius.
Os bovinos comem a maria-mole principalmente no outono e inverno, quando falta pasto e a planta está brotando nova com alta quantidade de veneno.
O maior perigo da maria-mole é que o veneno se acumula no corpo. Mesmo pequenas quantidades comidas ao longo do tempo vão destruindo o fígado aos poucos, até que o órgão para de funcionar completamente.
Os alcaloides causam lesões que não têm cura nos hepatócitos, que são as células do fígado responsáveis por filtrar o sangue e fazer outras funções importantes.
Sintomas e diagnóstico da intoxicação de maria-mole em bovinos

A seneciose é uma doença silenciosa que só mostra sinais quando o fígado já está muito danificado. O primeiro sinal é o animal emagrecer sem motivo aparente. Depois aparecem outros sintomas como barriga inchada com água (ascite), diarreia constante e esforço para defecar (tenesmo).
Quando a doença avança, surgem problemas neurológicos porque o fígado doente não consegue filtrar as toxinas do sangue.
Os animais ficam agressivos do nada, andam sem direção e têm comportamento estranho. Também aparecem sinais como amarelamento das gengivas e olhos (icterícia) e a pele fica sensível ao sol.
O diagnóstico é feito observando se s presença de maria-mole na propriedade, os sintomas do animal e exames de sangue que mostram se o fígado está funcionando mal.
Riscos econômicos da infestação de maria-mole no campo
Como não existe tratamento para a doença, qualquer animal que se intoxica vira perda total do dinheiro investido. A mortalidade de quase 100% significa que todo bovino afetado representa prejuízo completo.
Além das perdas diretas, a maria-mole também reduz o valor das pastagens. Áreas tomadas pela erva perdem produtividade e precisam de muito dinheiro para recuperação.
Os gastos com veterinário, exames e tentativas de tratamento aumentam ainda mais o prejuízo. Por isso, a prevenção é a única saída que compensa financeiramente, já que não tem cura para a doença.
Estratégias de controle e manejo da infestação de maria-mole

Para combater a maria-mole de forma eficaz, é preciso usar várias técnicas juntas, não apenas herbicida ou roçada.
Segundo o Comunicado Técnico da Secretaria da Agricultura do RS, as melhores estratégias combinam cuidado com o pasto, controle natural e cobertura do solo.
O uso exclusivo de veneno contra a maria-mole pode piorar a infestação, pois o herbicida elimina a planta, deixando o solo exposto e propício à germinação de novas sementes da mesma espécie.
Esse solo descoberto favorece a reinfestação rápida, especialmente em pastagens degradadas. Por isso, o manejo completo, combinando roçadas, pastejo rotacionado e recuperação de cobertura vegetal, torna-se fundamental para o sucesso duradouro do controle.
O papel do pastoreio ovino e da cobertura vegetal
O uso de ovelhas é a ferramenta mais eficaz descoberta pela pesquisa do IPVDF. As ovelhas resistem ao veneno da maria-mole e gostam de comer a planta quando ela ainda é nova, impedindo que cresça e faça sementes. Essa característica torna o pastoreio de ovelhas uma forma natural muito eficiente de controle.
Manter o pasto bem coberto com grama é outro ponto importante. Solos bem cuidados e sem excesso de animais criam um ambiente onde a maria-mole não consegue nascer.
As sementes dessa planta precisam de luz direta e espaço livre para germinar, coisa que não acontece em pastagens com grama fechada.
A maria-mole é uma ameaça real para quem cria gado no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul. A pesquisa do IPVDF mostra a gravidade do problema e aponta soluções baseadas em estudos científicos.
Os produtores devem focar no cuidado completo das pastagens, lembrando que prevenir é a única alternativa viável contra uma doença que mata quase todos os animais afetados.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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