Gente
Dono de um som único, descubra de onde vem o berrante
O berrante é feito tradicionalmente de chifre de boi e é símbolo da comunicação na vida rural
Redação Agro Estadão*
07/02/2025 - 08:00

Imagine o silêncio da manhã, o sol nascendo e de repente surge um som único e poderoso. É o chamado do berrante, um instrumento que ecoa através dos campos e conta histórias de tradição, trabalho e cultura.
Mais do que uma simples ferramenta, o berrante é um símbolo vivo do Brasil rural, carregando em suas notas a essência da vida no campo.
Afinal, de onde vem o berrante?
O berrante, em sua forma mais tradicional, nasce da própria natureza, sendo confeccionado a partir do chifre do boi.
Um subproduto da pecuária transformado em um instrumento de comunicação e expressão cultural.
O processo de fabricação do berrante é uma arte em si, passada de geração em geração por artesãos habilidosos.
A criação de um berrante começa com a seleção cuidadosa do chifre, preferencialmente de bois de raças como o Pedreiro, conhecidos por seus chifres longos que podem chegar a impressionantes 1,50 metros.
O artesão, então, inicia um processo meticuloso de limpeza e preparação do chifre, removendo a parte interna e polindo a superfície externa. Com ferramentas simples como facas, lixas e fogo, o chifre é moldado e afinado para produzir o som desejado.
A tradição do berrante é especialmente forte em regiões como Goiás, Triângulo Mineiro e Mato Grosso, áreas historicamente ligadas à pecuária e ao tropeirismo.
No entanto, é interessante notar que instrumentos similares podem ser encontrados em diversas culturas ao redor do mundo, incluindo os camponeses do Minho, em Portugal, sugerindo uma conexão ancestral entre o homem e este tipo de instrumento de sopro.
A evolução do berrante ao longo do tempo

Embora o chifre de boi continue sendo o material tradicional e preferido, a escassez de chifres longos levou à experimentação de outros materiais. Alguns artesãos começaram a utilizar chifres de outros animais, como o búfalo, ou até mesmo madeira e metal para criar instrumentos similares, mantendo a essência sonora do berrante original.
O design do berrante também se adaptou para atender a diferentes finalidades. Inicialmente usado principalmente para comunicação entre boiadeiros e para conduzir o gado, o instrumento ganhou novos propósitos:
Sinalização: Em fazendas maiores, diferentes tipos de toques de berrante foram desenvolvidos para sinalizar diversos eventos, como o início e o fim do dia de trabalho, ou a chegada de visitantes.
Comunicação: O berrante se tornou um meio de comunicação de longa distância em áreas rurais, especialmente antes da popularização dos rádios e telefones.
Música: Com o tempo, o berrante transcendeu sua função utilitária e se tornou um instrumento musical, sendo incorporado em performances de música sertaneja e folclórica.
A influência de diferentes culturas também deixou sua marca na evolução do berrante. A mistura de tradições indígenas, africanas e europeias no Brasil colonial contribuiu para a diversificação dos usos e significados culturais do instrumento.
Por exemplo, em algumas regiões, o berrante ganhou conotações religiosas, sendo usado em festividades e rituais locais.
Hoje, o berrante não é apenas um instrumento funcional, mas um símbolo cultural poderoso.
Ele aparece em apresentações de música sertaneja, em competições de tocadores de berrante, e até mesmo como item decorativo, representando a conexão com as raízes rurais do Brasil.
Esta evolução demonstra como um simples instrumento pode se adaptar e ganhar novos significados, mantendo-se relevante através das gerações e conectando o passado ao presente da cultura rural brasileira.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Gente
1
Morre aos 99 anos o criador do conceito moderno de agronegócio
2
Odílio Balbinotti, considerado ‘Rei das Sementes’, morre aos 85 anos
3
História do chapéu: tradição e proteção no campo brasileiro
4
Governo de SP abre 243 vagas para brigadistas com salário de até R$ 4 mil
5
Segurança: quando usar EPI na fazenda
6
Roberto Saldanha ocupará presidência da BSCA até 2027
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Gente
Governo de SP abre 243 vagas para brigadistas com salário de até R$ 4 mil
Inscrições gratuitas e online para brigadistas temporários vão até 10 de março; oportunidades são para todo o Estado
Gente
Morre aos 99 anos o criador do conceito moderno de agronegócio
Ray Goldberg, professor de Harvard, foi defensor de uma agricultura como uma cadeia integrada, do agricultor até o consumidor
Gente
Fertilizantes Heringer elege novo CEO após renúncias e faz mudanças na diretoria
Gustavo Oubinha Barreiro será o novo diretor-presidente da companhia após renúncia do CEO, Sergio Longhi Castanheiro
Gente
Sérgio Bortolozzo é reeleito presidente da Sociedade Rural Brasileira
Produtor rural seguirá à frente da entidade até 2028, com foco em endividamento do setor, seguro agrícola e defesa da propriedade
Gente
Segurança: quando usar EPI na fazenda
Patrão e trabalhador têm responsabilidades claras segundo normas vigentes no Brasil
Gente
História do chapéu: tradição e proteção no campo brasileiro
O chapéu no campo é mais que proteção contra o sol; é símbolo cultural, herança familiar e essencial em todo o Brasil
Gente
Odílio Balbinotti, considerado ‘Rei das Sementes’, morre aos 85 anos
Câmara Municipal e Prefeitura de Rondonópolis (MT) decretam luto de três dias em solidariedade aos familiares do fundador da Atto Sementes
Gente
Luiz Nishimori é eleito presidente da Comissão de Agricultura da Câmara
Nishimori foi indicado após acordo entre lideranças partidárias; no quarto mandato parlamentar, ele atua em projetos relacionados ao agro