PUBLICIDADE

Economia

Saiba como será a audiência do Brasil na Seção 301, em Washington

Nesta quarta, 3, representantes do comércio dos EUA recebem lideranças brasileiras para esclarecer as acusações de Trump sobre relações comerciais bilaterais

Nome Colunistas

Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com

02/09/2025 - 15:31

Foto: Adobe Stock
Foto: Adobe Stock

O escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) realiza nesta quarta-feira, 3, uma audiência pública em Washington para ouvir empresas e entidades sobre supostas práticas discriminatórias do Brasil nas relações comerciais com os Estados Unidos (EUA). O encontro integra o processo aberto sob a Seção 301 da lei de comércio norte-americana, que pode impactar as exportações brasileiras. 

Em 16 de julho, os EUA abriram investigação formal contra o Brasil para apurar se o país adota medidas comerciais injustas. Entre os temas em análise estão acesso ao mercado de etanol, comércio digital, tarifas preferenciais a terceiros países, combate à corrupção, propriedade intelectual e desmatamento ilegal.

CONTEÚDO PATROCINADO

“Essa audiência funciona quase como um processo judicial. Cada setor apresenta sua defesa, e os americanos podem propor medidas contra segmentos específicos do mercado brasileiro”, afirmou Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e sócio da consultoria BMJ.

O que está em jogo?

A audiência servirá para registrar as manifestações orais das partes interessadas. As falas serão consideradas pela USTR na preparação do parecer final. O Brasil será acompanhado por diplomatas, técnicos e representantes da indústria e do agronegócio. 

Caberá ao Escritório decidir as ações a serem tomadas com base nas recomendações de comitês subordinados, investigações e audiências. Caso conclua haver prejuízo a empresas americanas, a USTR pode aplicar sanções como tarifas adicionais ou restrições setoriais.

PUBLICIDADE

Presença do agronegócio

Do lado brasileiro, o setor agroexportador terá participação ativa e voluntária. Confirmaram presença, com exposição de ideias: Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única). A CNA e a Abiec não quiseram se manifestar antes da audiência.

Segundo Barral, o setor privado brasileiro se mobilizou para apresentar dados técnicos que desmontem as alegações norte-americanas: “estamos defendendo áreas como etanol, papel e celulose e móveis, contestando pontos como desmatamento e concorrência desleal. É cedo para prever desfechos, mas é crucial mostrar que não há fundamentos para sanções.”

O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, disse ao Agro Estadão que, em sua apresentação, vai sustentar que as tarifas impostas pelos EUA sobre o café brasileiro atingiriam em cheio o consumidor americano.

“O Brasil responde por 32% do mercado de café nos Estados Unidos e não há produto que possa substituí-lo. Uma tarifa de 50% encareceria o café no varejo e prejudicaria o consumidor americano”, disse Matos.

A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), de papel e celulose, e a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) também terão espaço para defesa. O tempo de fala ainda não foi divulgado, mas, de acordo o sócio-fundador da BMJ, deve ser breve, algo em torno de 15 minutos, com possibilidade de réplica e tréplica.

PUBLICIDADE

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) levará uma comitiva ampla, com dirigentes de associações de diferentes segmentos, como têxtil (Abit), alumínio (Abal), máquinas e equipamentos (Abimaq), além de federações estaduais como Fieg e Fiesc. Empresas como Embraer, Tupy, Stefanini, Novelis e Siemens Energy já confirmaram participação.

Próximos passos

Após a audiência, o governo brasileiro terá cerca de uma semana para responder por escrito às manifestações feitas em Washington. Em seguida, devem ocorrer consultas bilaterais entre Brasília e Washington. O processo pode resultar em arquivamento, negociações específicas ou tarifas contra setores brasileiros.

“A Seção 301 é uma investigação administrativa. As partes apresentam manifestações, depois há a audiência pública — que agora ocorre no dia 3 — e, em seguida, nova rodada de defesas por escrito. O USTR pode pedir documentação adicional ou até propor medidas setoriais específicas. Não é algo inédito: já houve casos semelhantes envolvendo Brasil, China e União Europeia”, explicou.


O Itamaraty enviou manifestação preliminar em 18 de agosto, negando as acusações e defendendo que o comércio bilateral é favorável aos EUA. Segundo especialistas, o processo pode se estender até o fim de 2025, dependendo do ritmo das etapas.

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

Café: receita com exportação bate recorde em 2025, apesar de queda no volume

Economia

Café: receita com exportação bate recorde em 2025, apesar de queda no volume

De acordo com relatório do Conselho de Exportadores (Cecafé), Estados Unidos deixaram de ser o principal destino do café brasileiro

Balança comercial tem déficit de US$ 243,7 milhões na 3ª semana de janeiro

Economia

Balança comercial tem déficit de US$ 243,7 milhões na 3ª semana de janeiro

Exportações somaram US$ 5,167 bilhões e importações, US$ 5,411 bilhões; mesmo com mês de janeiro acumula superávit de US$ 3,757 bilhões.

Após cotas da China, indústria de carne bovina intensifica reuniões em Brasília

Economia

Após cotas da China, indústria de carne bovina intensifica reuniões em Brasília

Setor busca diversificação de mercados e medidas de socorro à empresas e pecuaristas; ainda há dúvidas se carne já embarcada será tarifada

Acordo com UE pode render economia de R$ 1,3 bi para exportações de suco de laranja

Economia

Acordo com UE pode render economia de R$ 1,3 bi para exportações de suco de laranja

Os três principais tipos de suco exportados terão redução gradual de tarifas, com alíquota zero prevista entre 7 e 10 anos.

PUBLICIDADE

Economia

Inadimplência no agro avança no 3º trimestre de 2025 e chega a 8,3% dos produtores

Arrendatários e produtores participantes de grupos econômicos lideram a inadimplência; RS está entre os Estados com os menores índices do país

Economia

Suprema Corte dos EUA revisará caso sobre herbicida Roundup

Bayer diz que a análise esclarecerá se regras federais prevalecem sobre leis estaduais de rotulagem

Economia

Acordo Mercosul-UE levanta críticas do governo Trump às vésperas de assinatura

Comentários focam em regras que impedem venda de produtos com selos europeus de indicações geográficas

Economia

Aporte de US$ 1,3 bilhão da JBS permitirá ao México cortar 35% das importações de frango

Ministro da Economia do México vê investimento da Pilgrim’s Pride como oportunidade de ampliar a produção avícola e gerar empregos

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.