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Economia

Colheita da soja atinge 50% no RS, com produtividade irregular

Variações vão de 180 kg a 6.000 kg por hectare; estiagem e excesso de chuva afetam qualidade dos grãos, segundo Emater/RS-Ascar

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Paloma Custódio | Guaxupé (MG) | paloma.custodio@estadao.com

10/04/2025 - 17:14

Foto: Adobe Stock
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A colheita da soja avançou para 50% da área cultivada no Rio Grande do Sul até esta quinta-feira, 10, conforme aponta o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar. O desempenho representa um avanço significativo em relação ao mesmo período do ano passado, quando apenas 40% da safra havia sido colhida — número abaixo da média histórica para a data, que é de 47%.

O levantamento aponta uma ampla variação na produtividade da soja no Rio Grande do Sul, com índices que vão de 180 kg por hectare no Extremo Oeste até 6.000 kg/ha no Nordeste Riograndense. A média estadual está estimada em 2.240 kg/ha, resultado significativamente inferior aos 3.339 kg/ha registrados no mesmo período do ano passado. Segundo a Emater/RS-Ascar, a projeção pode cair ainda mais devido à escassez hídrica ocorrida em março, que impactou lavouras em todos os estágios de desenvolvimento.

CONTEÚDO PATROCINADO

Apesar de terem reduzido o ritmo da colheita, as chuvas registradas na última semana beneficiaram o desenvolvimento das lavouras de ciclo tardio. Na Metade Oeste, as precipitações mais intensas contribuíram para a recomposição da umidade do solo até níveis próximos à capacidade de campo, diminuindo o déficit hídrico. No entanto, o excesso de umidade causou a saturação do solo e da massa vegetal, o que levou à suspensão temporária da colheita até que as condições operacionais fossem restabelecidas.

Atualmente, 10% das lavouras estão em fase de enchimento de grãos, enquanto 39% encontram-se em maturação, beneficiadas pelas chuvas do período, que podem contribuir para a preservação parcial do potencial produtivo.

Nas regiões mais afetadas, a maturação das lavouras ocorre de forma heterogênea, reflexo do estresse hídrico durante as fases reprodutivas e da umidade excessiva após as chuvas. Os grãos apresentam elevado teor de umidade e impurezas, além de incidência de grãos verdes, ardidos e chochos, o que tem resultado em perdas de qualidade e descontos significativos na comercialização.

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Milho

A colheita avançou de forma lenta, devido à priorização de culturas mais sensíveis à deterioração após a maturação, como arroz, soja e feijão, atingindo 85% da área cultivada. Segundo o levantamento, cerca de 9% das lavouras de milho ainda estão em fase de maturação e devem permanecer no campo, aguardando a retomada da colheita conforme a disponibilidade de condições operacionais por parte dos produtores.

Os técnicos da Emater/RS-Ascar explicam, no informativo, que essa estratégia é viável devido à maior resistência do milho à deterioração, desde que as espigas permaneçam protegidas por palhas íntegras e as condições climáticas sejam favoráveis. Essa condição reduz significativamente o risco de fermentação e da proliferação de pragas.

A produtividade média permanece estimada em 6.866 kg/ha, a mesma das semanas anteriores, considerada  satisfatória. Esse índice se deve especialmente ao desempenho de lavouras precoces, que não foram afetadas pelo estresse hídrico nos períodos mais críticos.

Previsão do tempo para os próximos dias

A previsão para os próximos dias no Rio Grande do Sul indica chuvas irregulares, tanto em volume quanto em distribuição, acompanhadas por temperaturas amenas. Nesta sexta-feira, 11, uma área de alta pressão migratória, localizada sobre o oceano a leste do estado, continuará transportando umidade para o continente, favorecendo a formação de nuvens e provocando chuvas no litoral gaúcho, com possibilidade de acumulados moderados.

No sábado, 12, a chegada de uma frente fria deve provocar precipitações pontuais, especialmente nas regiões Norte e Sul do estado. Já no domingo, 13, há previsão de chuvas em praticamente todas as regiões.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, na segunda-feira, 14, a frente fria deverá se deslocar para o oceano, mantendo a nebulosidade e ocasionando chuvas isoladas no litoral, enquanto o tempo deve permanecer firme nas demais áreas.

A partir de terça-feira, 15, instabilidades vindas do Noroeste começarão a avançar sobre o estado, trazendo chuvas inicialmente para as regiões Noroeste e Central. Essas instabilidades devem se espalhar gradualmente, atingindo as demais áreas do Rio Grande do Sul ao longo da terça e da quarta-feira, 16.

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