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Economia

Após cotas da China, indústria de carne bovina intensifica reuniões em Brasília

Setor busca diversificação de mercados e medidas de socorro à empresas e pecuaristas; ainda há dúvidas se carne já embarcada será tarifada

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

19/01/2026 - 16:14

Roberto Perosa concedeu entrevista coletiva nesta segunda, 19, em São Paulo. Foto: Sabrina Nascimento/Agro Estadão
Roberto Perosa concedeu entrevista coletiva nesta segunda, 19, em São Paulo. Foto: Sabrina Nascimento/Agro Estadão

O ano de 2026 começou cheio de desafios para a indústria de carne bovina, resumiu nesta segunda, 19, Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), durante coletiva de imprensa na sede da entidade, em São Paulo.

Depois de ter superado o tarifaço dos Estados Unidos (EUA) — segundo maior mercado importador de carne bovina brasileira —, o setor agora enfrenta as incertezas das salvaguardas da China, principal destino da proteína vermelha do Brasil. 

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No final de 2025, os chineses concluíram a investigação aberta um ano antes e apontam dano à indústria doméstica devido às suas importações de carne bovina. Como medida para estimular o mercado interno, Pequim impôs cotas tarifárias para suas compras externas. Para o Brasil, ficou estipulado 1,106 milhão de toneladas de carne bovina sem tarifa adicional. Volumes acima dessa cota estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%.

Contudo, para evitar danos à indústria brasileira, a Abiec tem intensificado a agenda junto ao Governo Federal. “Amanhã [terça-feira], temos audiência com o governo, no MDIC [Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços] para avaliar medidas”, afirmou. Perosa explicou que, desde que as cotas tarifárias da China entraram em vigor, em 1º de janeiro, este é o quinto encontro que a Abiec terá com o governo. 

Segundo ele, duas frentes têm sido trabalhadas: junto ao MDIC: o setor tem debatido linhas de crédito para empresas e pecuaristas, e eventual licença de exportação — assim como foi proposto durante as tarifas adicionais impostas pelos EUA no ano passado. Enquanto isso, com o Ministério da Agricultura e Pecuária, busca-se a abertura de novos mercados e a ampliação dos já existentes. “Não existe uma medida única. Estamos discutindo um conjunto de ações para dar previsibilidade ao setor”, disse. 

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Nesse contexto, Perosa destacou avanços nas negociações sanitárias com países da Ásia. Ele ressaltou a visita de alto nível na Coreia do Sul e a expectativa pela missão oficial do Japão em março, quando uma delegação japonesa deve visitar frigoríficos em três estados brasileiros. 

Entretanto, atualmente, um dos principais pontos de preocupação do setor é o alto volume de carne já embarcada com destino à China. Segundo a Abiec, cerca de 250 mil toneladas estão atualmente em trânsito e ainda não está claro se esse volume será contabilizado dentro da cota anual chinesa. “Essa é uma questão central da negociação. O governo precisa estar atento a esse volume que já está no mar”, salientou.

No ano passado, a China respondeu por 48% do volume total de carne bovina exportada pelo Brasil: 1,68 milhão de toneladas. O volume somou US$ 8,90 bilhões, conforme dados compilados pela Abiec. 

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