Agricultura
Você sabia que existem esquilos nativos do Brasil?
Com hábitos diurnos e dieta baseada em sementes, 11 espécies nativas habitam florestas do país
Redação Agro Estadão*
06/12/2025 - 05:00

Esquilos são normalmente associados a cenas de filmes do hemisfério norte, correndo por parques nevados ou guardando bolotas em animações clássicas.
Pois saiba que o caxinguelê (Guerlinguetus brasiliensis), nosso esquilo nativo do Brasil, é real e essencial para os ecossistemas da Mata Atlântica e Amazônia, ajudando na dispersão de sementes e manutenção da floresta. Além dele, existem pelo menos outras 10 espécies de esquilos nativos no nosso País.
Para quem produz no campo próximo a fragmentos de mata nativa, conhecer a vida e hábitos desse animal é um passo importante para fortalecer as práticas de conservação e um manejo sustentável eficaz.
Quais são os esquilos nativos do Brasil?
As onze espécies brasileiras distribuem-se por diversos domínios na Amazônia e na Mata Atlântica. Na Amazônia encontram-se os maiores exemplares, que ultrapassam 30 centímetros, e também o menor esquilo do país — o esquilo-pigmeu, que mal chega a 10 centímetros.

Popularmente, os esquilos são conhecidos como serelepe, caxinguelê ou quatipuru. Esses apelidos levam muitas pessoas a acreditar que exista apenas uma única espécie no Brasil. Abaixo, por meio dos nomes científicos, listamos algumas delas.
- Guerlinguetus aestuans
Habitat: Amazônia e Mata Atlântica
Encontrado nos Estados: AM, AL, AP, MT, PA, PB, PE e RO - Guerlinguetus brasiliensis
Habitat: Mata Atlântica
Encontrado nos Estados: BA, ES, MT, MG, PR, RJ, RS, SC E SP - Sciurillus pusillus
Habitat: Amazônia
Encontrado nos Estados: AM, AP, MT e PA - Hadrosciurus igniventris
Habitat: Amazônia
Encontrado em: Amazonas e Roraima
Conhecendo o caxinguelê, um esquilo nativo do Brasil
“Pio de sabiá, sariguê, caxinguelê, maracajá”… Quem não ouviu essa música em 2025? Talvez você nem tenha notado que enquanto Polyana Rezende celebrava os sons e seres da mata, ela estava citando o nome do esquilo nativo mais comum do Brasil.
O caxinguelê, membro da família Sciuridae, mede entre 20 e 30 centímetros de comprimento corporal — sem contar a cauda, que pode dobrar esse tamanho!
Sua pelagem em tons marrons e acinzentados oferece camuflagem perfeita nas copas. De hábitos rigorosamente diurnos, começa o dia ao amanhecer forrageando sementes, frutas e até insetos.
Raramente pisa no solo, vivendo nas árvores entre 5 e 20 metros de altura. O caxinguelê é extremamente ágil, capaz de saltar até 5 metros entre galhos, escalar troncos espinhosos e usar a cauda para equilíbrio e manobras precisas nas copas.
Habitat e distribuição do caxinguelê no Brasil

A distribuição geográfica do caxinguelê estende-se desde o sul da Bahia até o Rio Grande do Sul. A espécie concentra suas populações principalmente na Mata Atlântica, ocupando desde florestas primárias até fragmentos florestais urbanos e rurais.
Na região amazônica, o caxinguelê estabelece populações em áreas de floresta densa, aproveitando a abundante cobertura vegetal para abrigo e alimentação.
Além do território brasileiro, a espécie ocorre na Guiana, Suriname, Venezuela e nordeste da Argentina, demonstrando sua capacidade adaptativa a diferentes condições ambientais sul-americanas.
Os ambientes preferenciais incluem florestas com dossel contínuo, onde pode se deslocar facilmente entre as árvores sem necessidade de descer ao solo.
Fragmentos florestais em propriedades rurais servem como corredores ecológicos, permitindo o deslocamento entre áreas maiores de mata nativa. A espécie adapta-se a diferentes altitudes, desde o nível do mar até regiões montanhosas de média altitude.
Comportamento e hábitos alimentares

As atividades do esquilo brasileiro concentram-se durante o período diurno, iniciando nas primeiras horas da manhã e estendendo-se até o final da tarde. A agilidade corporal permite saltos de até três metros entre galhos, utilizando a cauda como “leme” para mudanças direcionais precisas.
O caxinguelê possui audição aguçada e consegue escutar o som de larvas de insetos no interior dos troncos de árvores. Esta habilidade sensorial complementa sua estratégia alimentar diversificada.
A dieta baseia-se principalmente em recursos vegetais: frutas, sementes, nozes, brotos jovens e flores. Ocasionalmente, consomem insetos e suas larvas, especialmente durante períodos de escassez de frutos.
O comportamento alimentar inclui técnicas específicas de processamento de sementes, removendo cascas resistentes com os dentes especializados.
Quanto ao comportamento social, o caxinguelê pode viver solitário ou formar pares durante o período reprodutivo. Estabelece territórios definidos, demarcados através de sinais olfativos e vocalizações específicas.
Curiosidades sobre esse esquilo nativo do Brasil
O caxinguelê demonstra capacidade de memorização espacial notável, recordando a localização de centenas de esconderijos de sementes distribuídos em seu território. Esta habilidade cognitiva permite otimizar recursos alimentares durante períodos de escassez. Além disso, eles:
- Podem saltar distâncias horizontais de até três metros entre árvores;
- Utiliza a cauda para comunicação, sinalizando estados emocionais através de movimentos específicos;
- Adapta-se à vida em ambientes urbanos arborizados, sendo observado em parques e praças.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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