Pecuária
Alta da arroba e custo em queda impulsionam confinamento em 2025
Mato Grosso puxa a alta do confinamento no país, mas o sistema de terminação tem se tornado a aposta de regiões como o MATOPIBA
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
26/08/2025 - 07:00

A mudança do ciclo da pecuária, com a recuperação dos preços da arroba em diversas partes do país, deve impulsionar o confinamento este ano. Soma-se a esse cenário um menor custo de produção diante da maior oferta de milho e, por consequência, recuo dos preços.
Alguns sinais dessa alta de confinamento já foram verificados no primeiro semestre: os 94 confinamentos associados à Assocon (Associação Nacional dos Confinadores), tiveram alta de 8% no volume de animais confinados no primeiro giro. Isso, em comparação ao mesmo período do ano passado.
Entretanto, os balanços foram diversos. “Em relação a resultados financeiros, destacamos margens positivas para quem travou preço de venda no início do giro, — via contratos futuros —, e resultados negativos para quem vendeu no mercado físico, devido à queda da arroba em abril e maio, que foi significativa e impactante”, disse Juliane da Silva Gomes, gerente executiva da Assocon.
Para o segundo giro, que acontece entre agosto e novembro, contudo, as expectativas gerais são positivas diante de custos de produção mais favoráveis e preço da reposição em queda nos últimos meses. “Estratégias de mercado são aliadas dos pecuaristas, vendas da arroba travadas para novembro, apresentaram margem em torno de 2,8% ao mês e, arroba valorizada no mercado futuro, outubro e novembro tornam o cenário mais atrativo”, destaca Gomes.
Segundo ela, é fundamental que o pecuarista esteja atento à gestão de risco da atividade, utilizando os contratos futuros da B3 para se ter uma visão da tendência de preços. Além disso, estratégias de planejamento nutricional, compras antecipadas de insumos e controle de consumo são estratégias necessárias para a garantia de uma melhor margem de lucro.
Mato Grosso lidera confinamento
Conforme a Assocon, o segundo giro de confinamento tem ganhado força em várias regiões do Brasil, especialmente onde há boa disponibilidade de grãos, estrutura logística e clima favorável. Destaca-se nesse cenário o estado de Mato Grosso, líder no ranking nacional em números de animais confinados.
Levantamento das intenções de confinamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), realizado ao longo de julho, apontam para 926,78 mil cabeças a serem terminadas em confinamento no estado este ano. O volume é 3,84% superior ao de 2024.
Dentre os entrevistados, 69,57% informaram que irão confinar, e 30,43% disseram que não irão confinar. Neste momento, segundo o Imea, não houve pecuaristas indecisos em relação a confinar este ano ou não. “Mesmo com o menor percentual de pecuaristas decididos a realizar, o volume total de animais terminados em confinamento no estado aumentou”, apontou o documento.
No estado, o custo médio da diária de confinamento atingiu R$ 13,25 por cabeça ao dia, representando — alta de 11,93% em relação a 2024, de acordo com o Imea. Segundo os especialistas, o principal fator de pressão foi a valorização do milho, essencial para a ração animal. Mesmo assim, a relação de troca entre o boi e o milho atingiu 5,52 sacas por arroba, configurando-se, a maior média desde 2019.
Além disso, conforme o Instituto, os confinadores já negociaram, em média, 80% do milho necessário para a temporada, aproveitando janelas de preços mais baixos. “Isso reduziu os riscos e reforçou a confiança dos produtores em aumentar o volume de animais”, traz o documento.
Outros estados
Mas, não é somente em Mato Grosso que o confinamento ganha tração. Há elevação da intenção de confinamento em Rondônia, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Pará, Bahia e Tocantins. “A profissionalização do setor com crescente uso de gestão financeira, uso de contratos futuros e planejamento estratégico contribuem para o crescimento do confinamento no Brasil. Regiões Norte e Nordeste, como o MATOPIBA, estão entrando no mapa do confinamento, expandindo as áreas de gado confinado para corte”, explica a gerente da Assocon.
Porém, o quadro de custos mais altos, menor competitividade e, em alguns casos, a migração para sistemas alternativos conduzem à uma retração. É o caso do Paraná, Goiás e Minas Gerais, conforme mostra o último levantamento da DSM-Tortuga, em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
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