Sustentabilidade
Mistura de etanol na gasolina em 35% pode aumentar moagem de cana em 42 milhões de toneladas, projeta MME
Em evento sobre agroenergia, CNA diz estar de olho na COP 30 e defende uma participação antecipada do setor privado para evitar discursos equivocados do Brasil
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
31/10/2024 - 06:30

A lei do Combustível do Futuro trouxe a perspectiva da ampliação da mistura do etanol na gasolina em 35%. De acordo com projeções do Ministério de Minas e Energia (MME), esse aumento pode elevar a moagem de cana de açúcar em 42 milhões de toneladas por ano e um acréscimo do processamento de 7 milhões de toneladas de milho. Os dados foram comentados pelo secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Pietro Mendes.
“Processamento de milho e de cana de açúcar, a gente vai precisar aumentar a produção de biomassa: então nós estamos falando de aumento de 7 milhões de toneladas de demanda por milho, mais de 60%, ou de cana de 42 milhões de toneladas, mais 7% de biomassa para fazer jus ao E35”, disse Mendes durante o seminário Agroenergia: Transição Energética Sustentável, realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), nesta quarta-feira, 30.
O secretário também fez outras projeções levando em consideração além do E35 até 2037. No caso das emissões de carbono, a estimativa é de que a mistura proporcione 4,65 milhões de toneladas de carbono equivalente, que no acumulado até 2037 representaria uma redução de 55,7 milhões de carbono. Quanto ao consumo de etanol anidro, a pasta projeta um acréscimo de 3,17 bilhões de litros por ano, chegando a 37,8 bilhões de litros a mais no final de 2037. Além disso, há também estimativa de geração de empregos na casa de 2.100 a 12.600 postos.
“Para a produção de etanol, o que nós estamos estimando: sete usinas novas de etanol de milho, R$ 2 bilhões de investimentos em cada planta, 300 empregos diretos por planta, consumo anual de 1 milhão de toneladas de milho por planta. Para cana seriam 12 destilarias com capacidade de moagem de 3,5 milhões de toneladas por safra, R$ 2 bilhões de investimento por planta, geração de 350 empregos diretos, produção de 280 milhões de litros de etanol por planta destinadas”, detalhou o secretário.
CNA quer COP 30 com discurso alinhado ao setor produtivo
Durante o evento, o vice-presidente da CNA, José Mário Schreiner, destacou que a entidade já está com foco na 30º Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30). Ele fez um alerta sobre possíveis mudanças no discurso da pauta agroambiental de organizações não governamentais (ONGs) de outros países.
“Nós vamos ter agora a COP 29 em Baku, no Azerbaijão, mas aqui a gente tem discutido muito a importância de discutirmos a COP 30 que vai ser realizada no Brasil. Nós não podemos perder isso de vista. Se o setor produtivo, o setor privado, nós não começarmos a nos movimentar, nós seremos aí tomados de assalto por ONGs internacionais trazendo para o Brasil o que não é verdadeiro. Nós temos que criar a nossa plataforma, o nosso debate, para mostrar aqui no Brasil aquilo que nós temos de bom”, afirmou Schreiner.
Aos jornalistas, o representante da entidade ressaltou que é necessário mostrar a realidade e criticou as posições de outros países quanto à produção brasileira de energia. “Quem é que tem a matriz energética que o Brasil tem? […] Então quem é alguém para vir aqui dar aula para nós? Nós é que temos que dar aula para eles. Por isso que a COP 30 vai ter uma importância fundamental”, concluiu.
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