Pecuária
Raiva: após morte de bovinos, Goiás intensifica controle de morcegos
Animais hematófagos se alimentam de sangue e costumam atacar mamíferos, como gado e equinos
Redação Agro Estadão
26/08/2025 - 12:20

Após a confirmação das mortes de dois bovinos por raiva em Goiás neste ano, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) intensificou a captura e o controle de morcegos hematófagos para prevenir e conter a doença. Os animais se alimentam de sangue e costumam atacar mamíferos, como gado e equinos.
As equipes identificam abrigos, fazem a captura e promovem orientação sanitária nas propriedades de foco e perifoco da doença. Uma das últimas ações ocorreu nos municípios de Jataí, Cachoeira Alta e Itajá, no Sudoeste goiano. No início do mês, outra frente foi realizada em Água Fria de Goiás. Segundo a Agrodefesa, mais de 20 abrigos de morcegos hematófagos estão cadastrados na região Sudoeste e tem sido monitoradas.
Durante as operações, fiscais estaduais agropecuários fazem a captura dos animais e aplicam a pasta vampiricida, à base de substância anticoagulante, que provoca a morte dos morcegos. O método é recomendado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e, conforme a Agrodefesa, segue normas ambientais.
“É necessário ressaltar que isso é feito para poder realizar o controle populacional, evitando, assim, a exposição de rebanhos e da população ao vírus da raiva mediante a transmissão pelos morcegos hematófagos. O controle é uma das principais estratégias para evitar a disseminação da doença em Goiás”, explicou o fiscal estadual agropecuário, Fábio Leal, em nota.
Os locais de captura são definidos a partir de notificações de espoliação e de fiscalizações. Abrigos com presença de morcegos hematófagos são cadastrados e monitorados periodicamente para verificar a evolução das colônias e a possível circulação do vírus.
As atividades integram o Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros (PNCRH). “A cada inspeção que realizamos é feito ainda o trabalho de reforço com os produtores em relação à importância de reconhecer os sinais clínicos da raiva e notificar imediatamente qualquer suspeita da doença ou localização de abrigos”, acrescentou Fábio.
O coordenador da Unidade Regional Alto Araguaia, Sávio Carrijo, destaca o caráter preventivo das ações. “A raiva dos herbívoros não tem cura. Quando o produtor comunica a presença de abrigos e notifica sobre possíveis sinais clínicos no rebanho, está colaborando diretamente para preservar a pecuária local e proteger a população”, ressaltou.
A raiva dos herbívoros é doença viral transmitida principalmente por mordidas. Em bovinos e outros herbívoros, os sinais mais comuns incluem dificuldade de locomoção e paralisia, salivação excessiva e mudança de comportamento.
Em Goiás, casos suspeitos devem ser notificados à unidade da Agrodefesa mais próxima ou pelo telefone 0800 646 1122.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Pecuária
1
Pesquisadores se mobilizam para evitar a extinção dos jumentos
2
Seara conclui transição para gestação coletiva de suínos e amplia produção em 40%
3
Ração Nutratta volta ao centro das atenções com relatos de cegueira em potros
4
Da genética bovina a cavalos de elite: o mercado por trás da nova central equina do Brasil
5
Soro de leite pode virar refrigerante e gerar nova receita para laticínios de MG
6
Com 100% de rastreabilidade em bovinos, MBRF mira Protocolo de Carne de Baixo Carbono
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Pecuária
Gripe aviária é detectada em aves silvestres na cidade de Buenos Aires
Caso confirmado em cisnes reforça alerta das autoridades sanitárias após surtos em granjas comerciais
Pecuária
Seguro pecuário cresce 24% em 2025, mas cobre só 3% do rebanho
Mesmo com alta nas contratações, desconhecimento sobre o produto ainda limita adesão de pecuaristas
Pecuária
Mercado de inseminação artificial de bovinos cresce 15,57% em 2025 no Brasil
Entre as doses comercializadas o avanço foi de 8,87%, totalizando 27,979 milhões vendidas no ano passado
Pecuária
Cargill investe em Mato Grosso e inaugura planta de nutrição animal
Unidade em Primavera do Leste tem capacidade de 150 mil toneladas por ano e reforça aposta da companhia na bovinocultura de corte
Pecuária
Gripe aviária: Argentina confirma segundo caso em aves comerciais
Surto em granja de Lobos leva Senasa a reforçar quarentena e medidas de biosseguridade após perda do status sanitário internacional
Pecuária
MBRF e governo do PR estruturam fundo para financiar cadeia de aves e suínos
Serão R$ 375 milhões para fortalecer a cadeia produtiva de aves e suínos no Estado
Pecuária
Biosseguridade na suinocultura: como reduzir riscos sanitários
Controle de acesso, quarentena e limpeza correta garantem produção saudável e estável
Pecuária
Gripe aviária: Argentina confirma novo surto em aves comerciais
Novo caso surge semanas após UE anunciar retomada das importações de carne de aves argentinas a partir de 1º de março de 2026