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Agricultura

PR tem metade dos casos de ferrugem asiática em 2025/2026; confira orientações

Estado soma 88 dos 144 registros da doença no País; Embrapa aponta influência do clima úmido, da soja voluntária e da janela de plantio

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Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com

12/01/2026 - 16:58

Segundo a Embrapa, aumento de casos está relacionado ao fato de haver esporos circulando. Foto: ANeto/Embrapa
Segundo a Embrapa, aumento de casos está relacionado ao fato de haver esporos circulando. Foto: ANeto/Embrapa

A safra de soja 2025/2026 já contabiliza 144 registros de ferrugem asiática no Brasil, uma das doenças mais severas da cultura. O Consórcio Antiferrugem informa que o Paraná concentra 88 ocorrências, mais da metade do total nacional. Na sequência, aparecem Mato Grosso do Sul, com 44 casos; Rio Grande do Sul, com cinco; São Paulo, com quatro; Santa Catarina, com dois; e Minas Gerais, com um registro.

No mesmo período da safra passada, o Paraná havia anotado 41 ocorrências. O número atual representa mais que o dobro. A pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja, explica os motivos. “O aumento no número de relatos não indica perda de controle da doença, mas sim que a ferrugem foi identificada na região e precisa ser manejada adequadamente. É um sinal de que há esporos circulando e de que o produtor precisa utilizar fungicidas com eficiência para o manejo da ferrugem.”

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Clima e manejo explicam avanço no Sul

Segundo Cláudia Godoy, a maior incidência de relatos no Sul está ligada à sobrevivência de plantas voluntárias de soja na entressafra, à janela de semeadura e ao monitoramento mais intenso. O clima úmido durante o inverno favorece a permanência dessas plantas — que nascem espontaneamente após a colheita — e do fungo causador da doença. “Com a ocorrência de chuvas no inverno, há maior sobrevivência da soja voluntária, na qual o fungo acaba se mantendo”, explica. “No Cerrado, onde o inverno é mais seco, essa sobrevivência é menor.”

O vazio sanitário, período de 90 dias em que é proibido semear soja e em que se exige a eliminação das plantas remanescentes, reduz a pressão da doença. Ainda assim, a pesquisadora aponta presença significativa de soja voluntária em áreas do Sul, inclusive em meio a outras lavouras, o que contribui para a manutenção do patógeno.

A janela de semeadura também pesa. “Estados como o Paraná iniciam o plantio já no dia 1º de setembro, assim como regiões do Paraguai. Quanto mais cedo se semeia, mais cedo a ferrugem começa a aparecer, principalmente quando há proximidade com fontes de inóculo”, afirma.

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Outro fator para o volume de notificações é a metodologia de registro. Os dados do Consórcio Antiferrugem são contabilizados por município. O Paraná tem mais municípios que outros Estados produtores, o que amplia o número potencial de relatos.

“Os registros são voluntários e dependem da atuação de técnicos e agrônomos em campo. Regiões com forte presença de cooperativas, como ocorre no Paraná, acabam apresentando maior número de notificações”, diz Cláudia.

No Centro-Oeste, onde a colheita se aproxima, a ferrugem tende a causar menor impacto. “Os produtores estão conseguindo maior escape da doença. Nessa região, porém, outras enfermidades, como a mancha-alvo, têm maior relevância econômica”, ressalta a pesquisadora.

Orientações ao produtor

Com o avanço da resistência do fungo da ferrugem asiática aos fungicidas, a recomendação é associar produtos multissítios no manejo. Esses fungicidas atuam em diferentes pontos do metabolismo do fungo, o que reduz o risco de resistência. “Essa estratégia é fundamental para aumentar a eficiência do controle e prolongar a vida útil dos fungicidas disponíveis”, afirma Cláudia Godoy.

Os produtores podem acompanhar a evolução da doença pelo aplicativo do Consórcio Antiferrugem, disponível para Android e iOS.

Já a publicação “Eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da soja, na safra 2024/2025” reúne diversas informações e orienta os agricultores sobre a definição das estratégias de manejo na atual temporada.

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