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Das cozinhas da Europa às montanhas de Minas: como produtor multiplicou volume de leite em quase 10 vezes

Áureo Cássio de Carvalho saiu de 250 litros diários em 2019 para 2.300, focando em bem-estar animal e sustentabilidade

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Sabrina Nascimento*| Poços de Caldas (MG) | sabrina.nascimento@estadao.com

18/05/2025 - 08:00

Animais são criados em sistema de compost barn - Foto: Sabrina Nascimento
Animais são criados em sistema de compost barn - Foto: Sabrina Nascimento

Após percorrer as curvas da estrada que corta o relevo montanhoso de Minas Gerais, um visitante diria que, à primeira vista, Áureo Cássio de Carvalho parece apenas mais um produtor de leite no sul mineiro. Entretanto, bastaria caminhar com ele por cada centímetro de sua fazenda para perceber que ali se desenha outra história. O sorriso estampado no rosto dele simboliza a conquista de um sonho construído entre dois continentes. 

Filho e neto de produtores rurais, Áureo nasceu no meio do leite, mas foi na Europa que começou a construir seu legado. Em 2003, com 28 anos, ele fez as malas e deixou Santa Rita de Caldas (MG). Passou quatro anos fora, sendo três na Inglaterra e um na Espanha. Lavou pratos, cortou legumes, virou chefe. Sobreviveu de cozinha em cozinha com um objetivo claro: juntar dinheiro para comprar um sítio. E conseguiu. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Voltou ao Brasil, casou-se e investiu no que conhecia desde menino. Em 2010, comprou o Sítio Cachoeira das Antas, mas, ainda assim, teve que começar pelo gado de corte, confinando 40 animais, enquanto o leite precisou esperar. “Quando começou a sobrar um recurso, nós começamos a produzir leite. A escala era pequena, começamos com 100 litros e depois passamos para 250 litros diariamente”, contou ao Agro Estadão.

A transição de uma produção modesta para um sistema estruturado levou tempo. Foram quatro anos de ajustes para atingir os padrões exigidos pela indústria — qualidade, escala, sustentabilidade e bem-estar animal. 

Quando conseguiu firmar contrato, em 2019, entregava 250 litros por dia à Danone Brasil. Nesse processo, Áureo passou a integrar a Jornada Flora, iniciativa da multinacional francesa voltada ao fortalecimento da cadeia leiteira com foco em sustentabilidade, desenvolvimento técnico e melhoria da qualidade de vida no campo. 

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Áureo passou quatro anos na Europa para juntar dinheiro e comprar um sítio – Foto: Sabrina Nascimento

Plano de crescer mais

O acompanhamento técnico e os treinamentos oferecidos contribuíram diretamente para o salto de produtividade na fazenda. Hoje, são mais de 2.300 litros diários, volume quase dez vezes maior, produzidos pelas 63 vacas em lactação, de um plantel de 75 animais. E os planos de Áureo são ainda maiores. “Queremos arredondar essa produção, para 3.500 litros de leite, sempre cuidando dos animais”, afirma. 

Visando esse objetivo, o produtor investiu na infraestrutura da propriedade. Há poucos semanas, finalizou a construção de um novo galpão, onde funciona o sistema de compost barn — espaço em que as vacas descansam sobre camas de maravalha (um tipo de serragem grossa que forra o chão e oferece conforto seco às vacas) —, além de terem, sobre suas cabeças, ventiladores que lembram hélices de helicóptero.

O produtor diz almejar mais eficiência — inclusive, essa é sua palavra de ordem. Para isso, com uma mente treinada para os números, calcula cada centavo. Atualmente, seu custo de produção gira em torno de 49% e a margem líquida, 51%. Com tudo já incluído: depreciação de máquinas, custo de capital, ração e energia. A meta é bem definida: “chegar a 60% de margem, um custo de 40% e 100% de eficiência”, pontua.  

Mas não se trata só de números. Áureo vê no leite uma herança e uma construção. Como muitos produtores, ele aposta na sucessão. No caso dele, por meio de um sobrinho, que demonstra interesse em assumir o negócio no futuro. “Eu tenho um sobrinho que gosta daqui, tem um amor muito grande pela produção de leite e está estudando para vir para cá”, conta.

Enquanto o tempo da sucessão familiar não chega, como um visionário, Áureo segue planejando. Na próxima década, quer construir mais um galpão, um novo bezerreiro e um depósito para ração. “A gente não quer crescer muito, queremos ser mais eficientes. Esses são os nossos planos”, comenta, ao ressaltar que não visa um império, mas um sistema produtivo estável e sustentável.

*Jornalista viajou a convite da Danone Brasil

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