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Sustentabilidade

As sementes guardadas há dezenas de anos que ainda germinam

Sementes antigas representam um patrimônio cultural e a chave para sistemas alimentares mais resilientes e adaptados aos desafios do futuro

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Redação Agro Estadão*

09/07/2025 - 08:00

Foto: Adobe Stock
Foto: Adobe Stock

As sementes antigas, também conhecidas como crioulas, tradicionais ou da paixão, representam um tesouro inestimável para a agricultura brasileira. 

Desenvolvidas e selecionadas por gerações de agricultores, essas sementes adaptaram-se a diversas condições climáticas e tipos de solo ao longo dos séculos. Esse patrimônio genético é fundamental para a manutenção da biodiversidade agrícola e a garantia da segurança alimentar no país.

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Os bancos de sementes desempenham um papel importante, preservando esse legado para as futuras gerações de agricultores.

O legado das sementes antigas

As sementes antigas possuem características únicas que as tornam especialmente valiosas para a agricultura sustentável. Sua adaptação local ao longo do tempo confere-lhes maior resistência natural a pragas, doenças e condições climáticas adversas. 

Essa resiliência traduz-se em benefícios diretos para o produtor rural, como a redução de custos com insumos e a diminuição de riscos na lavoura.

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Por exemplo, variedades de milho crioulo demonstram notável capacidade de adaptação a diferentes regiões do Brasil. 

Essas variedades frequentemente apresentam maior tolerância à seca e melhor aproveitamento dos nutrientes do solo, resultando em cultivos mais produtivos e sustentáveis.

Bancos de sementes no Brasil

Os bancos de sementes são instituições essenciais para a preservação da agrobiodiversidade. Eles funcionam como repositórios de material genético, garantindo a disponibilidade de variedades para pesquisa, melhoramento genético e, em última instância, para a segurança alimentar global.

Os métodos de conservação utilizados pelos bancos de sementes são altamente sofisticados. Câmaras frias e bancos de germoplasma permitem que as sementes antigas mantenham sua viabilidade por décadas ou até séculos. 

Essas técnicas de armazenamento controlam rigorosamente fatores como temperatura, umidade e luminosidade, criando condições ideais para a preservação a longo prazo.

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No Brasil, destacam-se importantes instituições nesse campo. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mantém um dos maiores bancos de germoplasma da América Latina, com milhares de acessos de diversas espécies. 

Câmara fria do Banco Genético de Germoplasma vegetal da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia em Brasília (DF). Foto: Claudio Bezerra Mello/Embrapa

O Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) também desempenham papéis fundamentais na conservação de sementes nativas e cultivadas.

Essas instituições não apenas preservam o material genético, como também realizam pesquisas e, em alguns casos, disponibilizam amostras para produtores e pesquisadores. 

A magnitude desse trabalho é impressionante: só a Embrapa conserva mais de 120 mil acessos de germoplasma vegetal em sua rede de bancos.

Histórias de sucesso e o potencial das sementes antigas

Existem relatos de sementes com mais de 2.000 anos que ainda mantêm sua viabilidade. No Brasil, diversas comunidades e produtores rurais dedicam-se ao resgate, cultivo e multiplicação de sementes antigas, colhendo benefícios significativos.

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Um exemplo inspirador vem do Semiárido brasileiro, onde agricultores familiares, conhecidos como “guardiões de sementes”, preservam variedades adaptadas às condições áridas da região. 

Essas práticas não apenas fortalecem a cultura local e a autonomia do agricultor, como também criam oportunidades econômicas por meio de nichos de mercado para produtos diferenciados e orgânicos.

O papel do produtor na preservação das sementes antigas

Foto: IPA/Divulgação

Os produtores rurais desempenham um papel fundamental na conservação das sementes antigas. Tornar-se um “guardião de sementes” envolve práticas simples e eficazes de manejo e conservação. 

A seleção das melhores plantas para a colheita de sementes, o armazenamento adequado e a troca de sementes com outros agricultores são ações essenciais nesse processo.

Para iniciar essa prática, o produtor pode:

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  • Identificar e selecionar as plantas mais vigorosas e produtivas para coleta de sementes;
  • Armazenar as sementes em local fresco, seco e protegido da luz;
  • Participar de redes de conservação de sementes e associações de produtores que valorizam as variedades crioulas.

A diversificação de culturas e a valorização do conhecimento tradicional são pilares fundamentais para a sustentabilidade agrícola e a preservação da biodiversidade.

O trabalho com sementes antigas apresenta desafios, como a possível menor produtividade em comparação com variedades híbridas em alguns contextos. Ademais, pode haver a necessidade de adaptação de técnicas de cultivo. Entretanto, as oportunidades superam os obstáculos.

O cultivo de variedades antigas oferece possibilidades de agregação de valor aos produtos, permitindo a criação de marcas diferenciadas no mercado. Produtos orgânicos e artesanais derivados dessas sementes frequentemente alcançam preços premium, beneficiando diretamente os produtores.

Além disso, o uso de sementes antigas contribui significativamente para a resiliência e sustentabilidade da agricultura familiar e em maior escala. Essas variedades, adaptadas às condições locais, geralmente requerem menos insumos externos, reduzindo custos e impactos ambientais.

A preservação das sementes antigas possibilitam a manutenção de um patrimônio cultural e da garantia de opções para enfrentar os desafios futuros da agricultura, como as mudanças climáticas e a necessidade de sistemas alimentares mais resilientes.

*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão

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