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Pecuária

Rastreabilidade: pecuária ganha em sanidade, gestão e mercado

Rastreabilidade contribui para controle de doenças e agrega valor à produção gaúcha, que busca se antecipar às metas nacionais

Nome Colunistas

Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estado.com

06/01/2026 - 05:00

Foto: Arquivo pessoal/Fernanda Costabeber
Foto: Arquivo pessoal/Fernanda Costabeber

Para os mercados mais exigentes, a rastreabilidade da carne é uma exigência. No campo, porém, tem se revelado também uma aliada na gestão e no controle sanitário das propriedades. Ao permitir que cada animal seja identificado e acompanhado ao longo de toda a sua vida, ela facilita a detecção rápida de doenças, o isolamento de animais contaminados e o controle de surtos, além de garantir que vacinas e tratamentos sejam aplicados corretamente. Assim, é possível agir com mais eficiência para proteger a saúde dos rebanhos e evitar a propagação de doenças. 

É o caso da pecuarista Fernanda Costabeber, de São Sepé (RS). Há mais de 20 anos ela e a família se dedicam exclusivamente à recria e engorda de bovinos machos, em sistema de Recria e Terminação Intensiva a Pasto (RIP e TIP). Nos últimos 10 anos, todos os animais da propriedade foram rastreados. “Eu estava trabalhando fora e foi por isso que começou o processo oficial da sucessão familiar. Eu tive que voltar para ajudar meu pai na rastreabilidade porque ele já tocava a fazenda e eu não ia conseguir abraçar mais isso”, lembra Fernanda.

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O processo, iniciado ainda nos anos 2000, foi longo e burocrático. “Era muita planilha para assinar, para preencher a mão. Foi bem cansativo, tive que contratar pessoas para me ajudar”. Segundo a pecuarista, sem orientação dos órgãos públicos, a família conseguiu encontrar nas entidades certificadoras o apoio necessário para implementar a rastreabilidade. “Teve alguns momentos que a gente pensou em desistir. […] E a gente decidiu não parar justamente pelas vantagens que ela nos dava na gestão da fazenda”, conta.

“Eu consegui começar a ter um controle das origens dos animais que comprava, desempenho, mortalidade baseada em origens, tempo de fazenda, controle que a gente não tinha e com tanta precisão, que isso acabou melhorando muito nossos indicadores técnicos na fazenda”, comemora. 

Pecuarista Fernanda Costabeber de São Sepé (RS) | Foto: Arquivo Pessoal

Demanda crescente e valorização do produto

Outra vantagem apontada pela pecuarista é a agregação de valor ao produto e o diferencial de preço: “a gente notou de novo essa procura, uma alta demanda por animais rastreados, principalmente para exportar para a União Europeia”. 

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Rosane Collares, representante do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), explica que a carne rastreada agrega valor e confiança ao consumidor. “Ela é essencial principalmente aqui no Rio Grande do Sul, onde nós não temos um volume muito grande”.

De acordo com a gestora, a expansão da rastreabilidade tem sido essencial para a abertura de novos mercados. “Nos últimos dois anos recebemos mais de 15 missões internacionais em função da área livre de febre aftosa sem vacinação”. Segundo Collares, todos os representantes manifestaram a importância e a necessidade da rastreabilidade para que se concretizassem os acordos comerciais. 

Meta nacional: todo rebanho identificado até 2032

Em dezembro de 2024, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançou o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB). O plano prevê que até 2032 todos os bovinos e bubalinos do território nacional estejam individualmente identificados. A implementação será gradual. Entre 2024 e 2026, será construída a base de dados nacional. Entre 2027 e 2029, terá início a identificação individual dos animais, com a previsão de atingir todo o rebanho até 2032.

A elaboração do PNIB teve a participação de representantes do setor, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (ABEG). O vice-presidente da CNA, José Mário Schreiner, disse, no lançamento do plano, que o “beneficiado é o produtor”.  “Com a rastreabilidade, nós vamos ter muito mais possibilidades de conferir in loco. […] Nós estamos defendendo o produtor rural brasileiro”.. 

Segundo a diretora da Seapi, o estado está avançado em relação à implementação do calendário. Ela explicou que a rastreabilidade individual de bovinos, que hoje ocorre de forma restrita em uma bacia leiteira específica, deve ser ampliada em breve. 

Identificação individual dos bovinos | Foto: Arquivo pessoal/Fernanda Costabeber

Projeto-piloto

A secretaria de defesa animal do Rio Grande do Sul pretende lançar, até agosto, um edital de chamamento para selecionar propriedades interessadas em participar de um projeto-piloto gratuito. As propriedades escolhidas terão os animais identificados com o apoio da Secretaria, sem custos para os produtores. Eles, no entanto, terão que assumir o compromisso de seguir no projeto.

“A expectativa é que, até o final deste ano, a gente consiga colocar o sistema à prova, explorando ao máximo seu funcionamento. Assim, no início do próximo ano, já estaremos prontos para atender as propriedades que quiserem se antecipar e fazer parte do sistema, permitindo a entrada gradual de novas adesões”, afirmou Rosane Collares.

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