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Pecuária

Pecuária: EUA transformam base militar em ‘fábrica de moscas’ para barrar praga

Unidade no Texas vai dispersar insetos estéreis contra a mosca-da-bicheira que avança no México

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Redação Agro Estadão

11/02/2026 - 12:26

Um Centro de Operações de Dispersão já funciona no Aeroporto Internacional de Tocumen no Panamá. Foto: APHIS/Divulgação
Um Centro de Operações de Dispersão já funciona no Aeroporto Internacional de Tocumen no Panamá. Foto: APHIS/Divulgação

Os Estados Unidos (EUA) inauguraram nesta semana, no Texas, o primeiro centro de dispersão de moscas da bicheira-do-novo-mundo estéreis em solo norte-americano. Essa produção não é feita há décadas no País e faz parte de uma estratégia para impedir que o parasita carnívoro, que se prolifera a partir das larvas do inseto, atravesse a fronteira com o México e cause ainda mais prejuízos à indústria pecuária norte-americana.

A apresentação da nova instalação ficou a cargo da secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, e do governador do Texas, Greg Abbott. O lugar escolhido foi uma antiga base da Força Aérea próxima à cidade de Edinburg, localizada no condado de Hidalgo. 

Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a unidade permitirá a liberação de milhões de moscas machos estéreis da espécie conhecida como mosca da bicheira-do-novo-mundo em ambos os lados da fronteira com o México. “É uma prova do esforço conjunto entre governos federal, estadual e local pelo fato de ainda não termos essa praga em nosso País”, disse Rollins durante a inauguração.

Atualmente, a praga tem causado impactos significativos à pecuária mexicana. Diante do avanço das infestações, os EUA mantêm fechada desde julho a fronteira para a importação de bovinos vindos do México. 

Outros centros

Em novembro passado, o USDA já havia inaugurado um centro semelhante em Tampico, no México, para a dispersão de moscas criadas no Panamá. A unidade está localizada a cerca de 530 quilômetros da fronteira com os EUA, mas, segundo autoridades americanas, a situação atual exigia uma solução mais imediata. 

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Além disso, será construído ainda na região do Texas outra fábrica avaliada em US$ 750 milhões para a criação desses insetos. As obras devem ser concluídas somente no fim de 2027. O órgão também irá destinar outros US$ 21 milhões para converter, a partir deste verão no Hemisfério Norte, uma antiga instalação de criação de moscas-das-frutas no sul do México em uma unidade voltada à produção de moscas da bicheira-do-novo-mundo. 

No mês passado, o USDA anunciou ainda a oferta de até US$ 100 milhões em subsídios para projetos voltados ao aprimoramento da criação de moscas, ao desenvolvimento de armadilhas e iscas e à produção de novos tratamentos contra infestações.

Estratégia

Bicheira-do-novo-mundo
Foto: Adobe Stock

A estratégia do governo norte-americano se baseia na liberação de machos estéreis para acasalamento com as fêmeas — que se reproduzem apenas uma vez ao longo da vida adulta. Com isso, os ovos depositados pelas fêmeas em feridas abertas ou em mucosas dos animais não se desenvolvem em larvas carnívoras.

Essa ação não é inédita no País. Programas semelhantes de liberação de moscas machos estéreis foram responsáveis por praticamente erradicar a mosca da bicheira-do-novo-mundo do território norte-americano no início da década de 1970. Desde então, a criação desses insetos no Hemisfério Ocidental ficou concentrada em uma única instalação no Panamá, com capacidade para produzir cerca de 117 milhões de moscas por semana. A nova fábrica no Texas deverá elevar esse número para 300 milhões semanais.

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