Economia
Tabaco: Brasil mantém liderança na exportação com faturamento menor
Segundo o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), valor das vendas externas foi afetado por questões logísticas globais
Redação Agro Estadão
12/02/2025 - 08:16

O Brasil manteve a liderança mundial das exportações de tabaco em 2024, posição que ocupa desde 1993, mas fatores logísticos afetaram o faturamento, que ficou aquém do esperado. Os dados foram divulgados pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Conforme o levantamento, foram vendidas 455 mil toneladas para 113 países, volume 11,1% menor na comparação com 2023. As divisas atingiram US$ 2,977 bilhões, aumento de 9,08%, mas abaixo do esperado — as projeções da consultoria Deloitte eram de incremento de 20,1% a 25%.
O Rio Grande do Sul é maior produtor de tabaco do Brasil. No ranking de exportações do estado, o produto só perde para a soja. O presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, afirma que, apesar dos problemas climáticos enfrentados pelos produtores gaúchos no ano passado, primeiro com a estiagem e depois com as enchentes, a safra foi completamente colhida, processada e comercializada, mas não foi totalmente embarcada em 2024.
“Os problemas logísticos têm sido recorrentes, mas nos últimos anos tem ocorrido uma intensificação por conta de guerras e outros fatores que atrasam o fluxo de exportação”, afirma Thesing.
Apesar disso, ele está otimista. O motivo é que existe uma demanda global estável pelo tabaco. Com isso, a tendência é que o Brasil continue liderando o ranking, mas o presidente faz um alerta: é preciso manter o Sistema Integrado de Produção de Tabaco fortalecido e conscientizar todos os elos da cadeia produtiva sobre aspectos fitossanitários, de qualidade, integridade do produto, responsabilidade social e ambiental. “São fatores muito importantes para podermos nos manter na liderança de um mercado global competitivo”, conclui Thesing.
Quem compra?
A União Europeia, que historicamente mantinha a liderança entre os principais compradores do tabaco brasileiro, ganhou, em 2024, a companhia do Extremo Oriente — cada um respondeu por 34% do total embarcado. Em seguida, aparecem África/Oriente Médio (15%), América do Norte (9%) e América Latina (8%).
Bélgica, China e Estados Unidos são os principais países importadores. Egito, Indonésia e Vietnã vêm na sequência. O montante enviado para esses seis primeiros colocados somou dois terços do total exportado em dólares no ano.
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