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Economia

Exportações brasileiras de café recuam em janeiro; saiba os motivos

Embarques caíram 30,8%; os EUA foram o segundo destino, mas registraram forte retração de 46,7% nas compras

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Redação Agro Estadão

10/02/2026 - 17:13

Receita cambial para o café caiu 11,7% em relação a janeiro de 2024. Foto: Adobe Stock
Receita cambial para o café caiu 11,7% em relação a janeiro de 2024. Foto: Adobe Stock

As exportações brasileiras de café começaram 2026 em ritmo mais lento. Em janeiro, o País embarcou 2,78 milhões de sacas de 60 quilos, volume 30,8% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado, quando os embarques superaram 4 milhões de sacas. A receita cambial somou US$ 1,175 bilhão, queda de 11,7% na comparação anual, segundo dados divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

O desempenho reflete um conjunto de fatores que têm limitado a oferta ao mercado externo. Entre eles, estão os estoques reduzidos de café arábica durante o período de entressafra, a maior destinação dos cafés canéforas — conilon e robusta — ao consumo interno e a postura mais cautelosa dos produtores, que seguem capitalizados após anos de preços elevados.

CONTEÚDO PATROCINADO

De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a queda recente das cotações internacionais, intensificada a partir de janeiro com a expectativa de recuperação da safra brasileira 2026/2027, sobretudo do arábica, e o recuo do dólar frente ao real reduziram o apetite dos exportadores e compradores internacionais. Esse cenário, segundo ele, deve se manter até a entrada da nova safra no mercado.

A perspectiva, no entanto, é de gradual retomada a partir dos próximos meses. No caso dos cafés conilon e robusta, a aproximação da colheita, prevista a partir de maio, já começa a sinalizar melhora nos embarques. Para o arábica, a recuperação tende a ocorrer mais adiante, por volta de julho, com o avanço da safra 2026/2027 e maior competitividade do produto brasileiro frente aos concorrentes internacionais.

Perfil dos embarques

Mesmo com a retração, o café arábica manteve a liderança nas exportações brasileiras em janeiro, com 2,347 milhões de sacas, equivalentes a 84,4% do total enviado ao exterior. O volume, porém, representa queda de 29,1% em relação a janeiro de 2025.

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O café solúvel aparece na sequência, com 249,1 mil sacas exportadas, respondendo por 9% do total, apesar de uma redução expressiva na comparação anual. Já os cafés canéforas somaram 181,6 mil sacas, recuo de 45,6%, enquanto os segmentos de café torrado, e torrado e moído tiveram participação marginal, com pouco mais de 2,3 mil sacas embarcadas.

Principais mercados

A Alemanha permaneceu como o maior destino do café brasileiro no mês, com a importação de 391,7 mil sacas, embora tenha registrado queda de 16,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 385,8 mil sacas, mas apresentaram forte retração de 46,7%.

Completam a lista dos cinco principais compradores a Itália, que apresentou crescimento de 6% nos embarques, além de Bélgica e Japão, ambos com recuos nas aquisições.

Cafés especiais em baixa

Os cafés diferenciados — que incluem produtos de maior qualidade e com certificações socioambientais — responderam por 21,2% das exportações totais brasileiras em janeiro, com 588,3 mil sacas embarcadas. O volume representa queda de 41,9% em relação ao mesmo mês de 2025.

Ainda assim, esse segmento manteve maior valor agregado. O preço médio foi de US$ 463,53 por saca, gerando uma receita de US$ 272,7 milhões, o equivalente a 23,2% do faturamento total obtido com as exportações de café no mês.

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O Porto de Santos concentrou a maior parte dos embarques, com 2,252 milhões de sacas e participação de 81% no total exportado. O complexo portuário do Rio de Janeiro respondeu por 15,7%, enquanto o Porto de Paranaguá teve participação de 1,1%.

Balanço da safra

No acumulado de julho de 2025 a janeiro de 2026, o Brasil exportou 23,406 milhões de sacas de café, com receita de US$ 9,235 bilhões. Em relação ao mesmo período da safra anterior, houve queda de 22,5% no volume, mas crescimento de 8,1% na receita, evidenciando o impacto dos preços mais elevados no mercado internacional.

O relatório completo com os dados das exportações brasileiras de café está disponível no site do Cecafé.

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