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Economia

Etanol de milho seguirá redefinindo o mercado do grão em 2026

Na avaliação da Datagro Consultoria, o grande ponto de atenção para o milho no próximo ano é o risco climático para a safrinha

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

03/01/2026 - 07:00

Consumo de milho destinado ao etanol deve saltar de 24,3 para 31,4 milhões de toneladas. Foto: Adobe Stock
Consumo de milho destinado ao etanol deve saltar de 24,3 para 31,4 milhões de toneladas. Foto: Adobe Stock

A cadeia do milho no Brasil vive um momento de transformação, puxada principalmente pela forte expansão do etanol. Entre 2024 e 2025, a produção saltou de 8,3 bilhões para 10,2 bilhões de litros — um aumento de aproximadamente 1,9 bilhão de litros em apenas um ano.

Esse movimento, segundo a Datagro Consultoria, tem alterado a dinâmica de oferta e demanda no mercado interno, sustentado preços ao produtor e redefinido as perspectivas para o grão. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Conforme explica Plínio Nastari, CEO da Datagro, o avanço da produção de etanol a partir do milho elevou significativamente o consumo interno do grão. Atualmente, a demanda doméstica total está estimada em cerca de 99 milhões de toneladas, consolidando o consumo interno como o principal determinante do equilíbrio do mercado. “O aumento da produção de etanol de milho foi, sem dúvida, o grande impulsionador do mercado de milho no Brasil em 2025”, avaliou em conversa com o Agro Estadão. 

E o protagonismo do etanol de milho não deve arrefecer. Para a safra 2026/2027, que se inicia em abril de 2026, a Datagro projeta uma nova expansão de cerca de 3 bilhões de litros na produção de etanol de milho. Com isso, o Brasil pode atingir um volume total de 13,2 bilhões de litros.

Essa expansão elevará ainda mais a demanda por grãos. Para sustentar a produção, o consumo de milho destinado ao etanol deve chegar a aproximadamente 31,4 milhões de toneladas — em 2025, a demanda foi de 24,3 milhões de toneladas. “Então, é uma expansão importante”, destacou, evidenciando o salto expressivo no uso industrial do grão.

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Exportações sob pressão do consumo interno

Com o avanço do consumo doméstico, especialmente pelo setor de proteínas animais e pela indústria de etanol, as exportações brasileiras de milho tendem a permanecer moderadas em 2026. A Datagro trabalha com a possibilidade de uma leve redução nos embarques, justamente em função da maior absorção interna.

Historicamente, o Brasil consome internamente cerca de 99 a 100 milhões de toneladas de milho, enquanto exporta entre 40 e 42 milhões de toneladas. Esse balanço, segundo Nastari, será cada vez mais determinado pelo ritmo do consumo doméstico. “O consumo interno é, sem dúvida, o fator que determina o volume disponível para exportação”, disse.

Preços e área plantada

Com o aumento estrutural da demanda, surgem condições favoráveis para a expansão da área plantada de milho no Brasil. Porém, segundo Nastari, esse movimento depende fundamentalmente da manutenção de preços sustentados ao produtor — algo que, na avaliação da Datagro, está dado no cenário atual. 

Para 2026, a consultoria acredita que os preços do milho continuarão cobrindo os custos médios de produção. “Nas regiões de maior concentração, norte do Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, os preços devem estar remunerando o produtor para que ele cubra o custo de produção do milho safrinha”, avalia. 

Ponto de atenção: cenário climático

etanol de milho
Datagro projeta uma produção de milho de 142 milhões de toneladas na safra 2025/26. Foto: Adobe Stock

Nastari destaca que o grande ponto de atenção em 2026 permanece sendo o clima. O plantio da soja registrou atraso em algumas regiões, o que tradicionalmente levanta preocupações sobre um eventual estreitamento da janela de plantio do milho safrinha. 

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No entanto, Nastari pondera que atrasos observados no passado já foram compensados por condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da soja, evitando impactos diretos sobre o milho. “Não necessariamente o atraso do plantio gera estreitamento da janela do milho safrinha”, enfatiza.

Neste ano, contudo, ele destaca que o desafio está no volume de chuvas e, principalmente, na sua irregularidade. A precipitação segue ligeiramente abaixo da média histórica de 30 anos e – o que é mais preocupante – ocorre de forma heterogênea. Na avaliação da Datagro, essa má distribuição pode gerar um risco de estreitamento da janela de plantio da safrinha de milho, porém, o cenário ainda exige monitoramento constante nas próximas semanas.

Para a safra 2025/26, que já está em curso, a Datagro projeta uma produção total de milho de aproximadamente 142 milhões de toneladas. Desse volume, a safra de verão deve responder por cerca de 27 milhões de toneladas, enquanto a segunda safrinha pode alcançar 115 milhões de toneladas.

Fatores externos e geopolítica

No cenário internacional, eventos geopolíticos como a possibilidade de um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia têm repercutido nos mercados de commodities. No entanto, Nastari avalia que o impacto direto sobre o milho é secundário, com o trigo sendo impactado mais diretamente. 

Ainda assim, a queda nos preços do petróleo pode reduzir os custos de frete internacional. Esse movimento pode facilitar importações pontuais, embora não altere substancialmente a dinâmica do mercado doméstico de milho. “Isso tudo está relacionado a esses fatores ligados à guerra da Ucrânia. Porque o próprio preço do petróleo em queda também é reflexo da possibilidade de cessar-fogo”, destaca. 

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