Economia
CNA prevê crescimento de 1,22% do PIB Agro em 2026
Crescimento do PIB agro da ordem de 11,7% em 2025 superou a previsão da entidade de 8,3% em dezembro
Broadcast Agro
04/03/2026 - 11:14

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) prevê crescimento de 1,22% do Produto Interno Bruto (PIB) da Agropecuária neste ano, ante alta de 11,7% em 2025. A estimativa da entidade é preliminar e deve ser revisada após os resultados anuais divulgados nesta terça-feira, 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Vemos desenvolvimento positivo da safra e projeção de crescimento de todos produtos da pecuária, à exceção da carne bovina que entra em ciclo baixista”, disse o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon.
Em dezembro, a CNA previa avanço de 2,3% para o PIB da agropecuária. “A partir do aumento acima do esperado em 2025, vamos recalibrar as projeções para o ano”, apontou Conchon, sobre a base maior que o esperado no ano passado. Conchon destaca que a primeira safra está sendo colhida, enquanto o segundo ciclo está sendo implantado nas lavouras. “É preciso ver ainda como vai se desenrolar o andamento da safra e como ficará em cada região. A previsão é boa, mas temos que acompanhar o progresso da safra”, ponderou Conchon.
Para o PIB nacional, a CNA também vê crescimento mais moderado, de 1,95% neste ano, ante 2,3% de alta no ano passado. “A desaceleração ante 2025 deve-se à previsão de maior inflação, dúvidas quanto aos efeitos do conflito no Irã no petróleo e, se prolongado, sobre uma inflação mais salgada e a uma estimativa de Selic ainda elevada ao fim do ano”, explicou Conchon. Com crescimento do agro inferior aos demais setores, a participação da agropecuária no PIB Brasil deve sair de 7,54% em 2025 para próximo de 6,9% neste ano, em previsão preliminar da CNA.
Superando as expectativas
Em relação a 2025, o crescimento do PIB agro da ordem de 11,7% superou a previsão da entidade de 8,3% em dezembro. De acordo com Conchon, a safra recorde e o bom desempenho da pecuária no ano passado explicam o resultado expressivo da agropecuária. “Esperava-se desaceleração do PIB Brasil no ano, sobretudo em virtude dos juros, mas também pela retração da confiança do consumidor, com avanço mais moderado da despesa das famílias, mesmo com estímulo de renda visto. No agro especificamente, o desempenho refletiu a supersafra”, explicou.
Além da soja e do milho, a CNA destaca como fatores positivos as safras de café conilon, laranja e arroz. “Já feijão contribuiu negativamente”, pontuou. “A pecuária, tanto de corte quanto leiteira, ajudou a impulsionar o desempenho, com bons números das exportações”, observou.
A participação da agropecuária no PIB Brasil ficou em 7,54% em 2025 ante 6,91% em 2024. “Se não fosse o crescimento da agropecuária, se o setor tivesse ficado estável, o PIB do Brasil não teria crescido nem 1,5%. O resultado do agro corresponde a 0,8 ponto porcentual do PIB”, acrescentou.
Para 2026, a CNA vê como pontos de atenção para o comportamento do PIB da agropecuária as incertezas climáticas, as salvaguardas chinesas sobre a importação de carne bovina, o crescimento das tensões no Oriente Médio com reflexo nos preços de fertilizantes e nos embarques de produtos agropecuários, a volatilidade do dólar frente às principais cestas de moedas estrangeiras, o cenário de juros elevados, o estímulo governamental à transferência de renda, a atratividade do Brasil como moeda emergente, a redução do poder de compra das famílias e do crescimento real do salário mínimo.
Para o primeiro trimestre deste ano, a tendência é positiva, aponta Conchon, com a entrada da soja da safra 2025/26. “A soja enfrentou muita umidade, a ver como a qualidade será e como vai fechar o primeiro trimestre, período também de plantio da segunda safra de milho que reflete no desempenho no segundo trimestre deste ano”, observou Conchon.
Sazonalmente, lembra Conchon, o PIB da agropecuária tende a ter desempenho mais forte no primeiro trimestre do ano puxado pela colheita da safra de verão, seguido por arrefecimento no segundo trimestre, um terceiro trimestre mais fraco e retomada da aceleração no quarto trimestre do ano, impulsionado pela colheita das culturas de inverno e aumento do abate pecuário em meio às festas de fim de ano.
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