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Economia

Cafés especiais: a aposta que deu certo 

Produção nacional dos grãos especiais cresce cerca de 15% ao ano, indica BSCA; No Dia Nacional do Café setor tem muito a comemorar

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Sabrina Nascimento | Atualizado às 15h46 do dia 24/05/2024

24/05/2024 - 12:46

Fonte: Adobe Stock
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Quando as primeiras mudas de café chegaram ao Brasil no século XVIII, não se imaginava como essa cultura poderia impulsionar a economia nacional. Cultivado, inicialmente, no Pará, o grão logo se expandiu para outros estados, transformando o país em um dos maiores produtores, consumidores e exportadores mundiais da bebida. 

Atualmente, o Brasil lidera a produção global de café. E, com uma safra estimada em mais de 58 milhões de sacas, de acordo com a Conab, o país deve manter a sua posição no ranking mundial. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Esse destaque não ocorre somente no cenário internacional, como também alimenta a paixão nacional pela bebida. O ‘cafezinho’ faz parte da cultura e dos hábitos de muitos brasileiros. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) indica um consumo anual de, aproximadamente, 6,1kg por pessoa, o que equivale a cerca de 83 xícaras de café de 50ml por mês. 

Em busca de experiências únicas para satisfazer seu paladar, os amantes de café estão sempre atentos às novidades. Nesse contexto, os cafés especiais despontam como verdadeiras jóias da cafeicultura, oferecendo uma ampla gama de aromas e sabores que cativam os apreciadores mais exigentes.

“Há 30 anos não se falava em meio milhão de sacas produzidas, hoje, produzimos pouco mais de 8 milhões de sacas”, destaca Vinicius Estrela, diretor executivo da Associação Brasileira de cafés especiais (BSCA). Esse volume representa entre 18% a 20% da produção nacional do grão. 

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Mas, afinal, quais são as características de um café especial?

Os cafés especiais são produtos de alta qualidade, cultivados em condições especiais e que passam por processos de produção cuidadosamente controlados. 

Na definição estabelecida pela BSCA, associação que regula este setor, é necessário que a bebida atenda a três componentes: 

  • grãos sem defeitos
  • sustentabilidade como pilar de produção 
  • nota acima de 80 pontos, em uma escala de 100, na avaliação sensorial 

Diferentemente dos cafés comerciais, que frequentemente são produzidos em larga escala, os grãos especiais são cultivados em pequenas fazendas, muitas vezes de forma artesanal, privilegiando a qualidade em detrimento da quantidade. 

Além do compromisso com a qualidade, os produtores de cafés especiais também valorizam a sustentabilidade e a responsabilidade social. Muitas fazendas adotam práticas agrícolas orgânicas, preservando os ecossistemas locais.

Diferentes aromas e sabores

Uma das características mais marcantes dos cafés especiais é a diversidade de aromas e sabores. Cada grão carrega consigo a expressão única de onde foi cultivado, bem como das técnicas de processamento utilizadas. Desde notas frutadas, florais e doces até aromas mais ácidos, complexos e intensos, como chocolate e caramelo. 

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“[…] ele acaba oferecendo essa performance na xícara de, inclusive, te remeter algumas notas sensoriais, alguns gostos que a gente tem em nossa memória gustativa”, explica Estrela. “É super comum alguém tomar uma xícara de café especial e dizer: isso tem gosto de rapadura”, completa.

Conquista do mercado doméstico e internacional 

A demanda crescente por cafés especiais, principalmente após a pandemia de Covid-19, tem impulsionado esse mercado. Segundo estimativa da BSCA, há um aumento anual em torno de 15% no consumo somente no cenário doméstico.

Assim como na produção de cafés tradicionais, Minas Gerais se destaca como o principal produtor de grãos especiais no país. O maior volume é concentrado, especialmente nas regiões do Cerrado, sul de Minas e Mantiqueira. 

No entanto, o cultivo se espalha por todo o país. “A região amazônica e Rondônia são notáveis pela produção de café robusta, por exemplo, complementando a diversidade da indústria cafeeira brasileira”, informa o dirigente da BSCA.

Além disso, a qualidade dos grãos da chamada ‘nova geração de cafés especiais brasileiros’ — que atingem pontuação de 88 a 90 na avaliação final e classificação sensorial, tem conquistado o mercado internacional. 

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No ranking global de compradores da variedade, despontam: a Europa (40%), os Estados Unidos (30%) e o Japão (10%). 

Nos próximos meses, o setor almeja um aumento nas vendas dos grãos para a China e países dos Emirados Árabes Unidos. 

Qualidade dos grãos especiais é garantida pela indústria 

A produção e demanda crescentes por cafés especiais, resultou na criação de um selo inédito no país para o grão torrado. O certificado, lançado no final do último ano pela ABIC, tem o objetivo de garantir a qualidade da bebida e certificar as boas práticas sustentáveis e de rastreabilidade. 

Na avaliação do diretor executivo da Associação, Celírio Inácio, a iniciativa “dá a oportunidade ao consumidor comum em conhecer mais um pouco a riqueza do Brasil, através de sabores e aromas. E toda a magia que o café pode nos proporcionar”, comenta o dirigente em vídeo enviado ao Agro Estadão.

O diretor executivo da ABIC, Celírio Inácio, comenta a qualidade dos grãos produzidos no Brasil e destaca o crescimento dos cafés especiais.

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