Agropolítica
Mato Grosso do Sul avança para primeira concessão hidroviária do Brasil
Hidrovia do Rio Paraguai será concedida à iniciativa privada para aumentar eficiência logística, reduzir custos e garantir monitoramento ambiental
Paloma Custódio | Brasília
10/02/2025 - 05:00

O governo de Mato Grosso do Sul vai conceder a Hidrovia do Rio Paraguai à iniciativa privada. O objetivo é promover aumento da eficiência logística no escoamento de cargas, com maior controle cambial do Pantanal. Durante audiência pública realizada na semana passada, para o aprimoramento dos documentos e da modelagem para a concessão hidroviária, o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, disse que o rio Paraguai movimentou mais de 9 milhões de toneladas de mercadorias no ano passado.
“O que temos agora é uma possibilidade de fazer uma concessão hidroviária que objetiva balizamento e dragagem (processo de remover sedimentos do fundo de corpos de água) em alguns pontos críticos no limite. Serão seis pontos de dragagem, se forem necessários. Além disso, teremos rede de monitoramento dos navios online. Então nós vamos saber onde as barcaças estão e em que momento elas estão operando”, destacou na audiência.
Essa será a primeira concessão hidroviária do Brasil. A Hidrovia do Rio Paraguai compreende o trecho entre Corumbá (MS) e a foz do rio Apa, em Porto Murtinho (MS), além do leito do Canal do Tamengo, também no município de Corumbá. A extensão total do projeto é de 600 km.
Nos primeiros cinco anos de concessão, serão realizados serviços de dragagem, derrocagem (remoção de rochas e obstáculos de cursos d’água), balizamento e sinalização adequados, construção de galpão industrial, aquisição de draga, monitoramento hidrológico e levantamentos hidrográficos. Também serão feitas melhorias em travessias e pontos de desmembramento de comboio, implantação dos sistemas de gestão do tráfego hidroviário, incluindo o Vessel Traffic Service (VTS) e o River Information Service (RIS), além dos serviços de inteligência fluvial.
O investimento direto estimado nos primeiros anos é de R$ 63,8 milhões. O prazo contratual é de 15 anos, com possibilidade de prorrogação por igual período.
“Equilíbrio entre interesses logísticos, ambientais e econômicos”
Ao Agro Estadão, a Aprosoja/MS disse que a concessão da hidrovia “deve equilibrar interesses logísticos, ambientais e econômicos e pode trazer pontos positivos aos produtores da região, como a redução do custo do frete e aumentar a competitividade dos produtores sul-mato-grossenses no mercado nacional e internacional”.
A entidade, que representa os produtores de soja e milho de Mato Grosso do Sul, reconhece que “a estrutura logística para o escoamento de cargas no estado e no Brasil enfrenta desafios significativos que impactam a competitividade do agronegócio”. Para eles, a concessão pode trazer benefícios, “mas os desafios precisam ser cuidadosamente gerenciados”.
O diretor-executivo do Movimento Pró Logística, Edeon Vaz, afirma que a concessão vai mitigar a burocracia enfrentada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para fazer os serviços na hidrovia.
“Nós temos um problema muito sério quando diz respeito a dragagens feitas pelo DNIT. Porque a burocracia que se tem para contratar um trabalho é muito grande. E, às vezes, você faz toda a burocracia e depois não tem dinheiro para fazer o serviço”, explicou à reportagem. “A concessão vem resolver isso. Porque ela não é da hidrovia, é dos serviços hidroviários. Ela vai fazer todos os serviços hidroviários e vai receber por isso, por meio de uma tarifa”, complementa.
Concessão hidroviária tem baixo impacto ambiental
O secretário Jaime Verruck destacou que 40% do total do investimento na concessão será destinado para monitoramento ambiental e reforçou que a hidrovia é uma intervenção de baixo impacto ambiental. “Nós temos uma série de monitoramentos que vão ajudar a ter controle ambiental”, acrescentou, lembrando que a hidrovia será licenciada, com Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA). Além disso, haverá consulta pública às comunidades e interessados, que é o próximo passo do projeto.
Caso a concessão seja realizada, a Semadesc espera que ela ocorra até dezembro deste ano.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Agropolítica
1
Proposta no Congresso pode flexibilizar porte de arma em propriedades rurais; entenda
2
Brasil terá fazendas de cannabis? Anvisa vota regras para o cultivo nesta semana
3
O chapéu vai ser proibido no campo? Entenda essa polêmica
4
Governo inicia processo de desapropriação de 7 imóveis rurais para reforma agrária; veja onde
5
Lula sanciona orçamento com pouco mais de R$ 1 bilhão para Seguro Rural
6
Irã, Groenlândia e Venezuela: como as tensões geopolíticas impactam o agro do Brasil?
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Agropolítica
Setor do biodiesel busca apoio no governo para evitar importação
Estratégia passa por convencer membros do CNPE e alertar sobre fim do Selo Biocombustível Social, caso medida avance
Agropolítica
Ministério orienta bancos a renegociar dívidas do Pronaf de produtores de leite
Produtores devem estar atentos aos requisitos, como prazos, condições e documentação, para fazer a solicitação junto às instituições
Agropolítica
Pena por incêndios florestais pode subir para 10 anos de prisão
Projeto que tramita em caráter conclusivo prevê ainda penas específicas para incêndios em APPs e em Unidades de Conservação.
Agropolítica
Congresso aprova crédito extraordinário para emergências sanitárias
Ministério da Agricultura ainda mantém status de emergência fitossanitárias para 3 pragas e de emergência zoossanitária para gripe aviária
Agropolítica
“Não acho que estamos maduros para votar isso agora”, afirma Lupion sobre acordo Mercosul-UE
Questão sobre salvaguardas preocupa a bancada ruralista, que pensa em medidas para minimizar os impactos do acordo no agronegócio
Agropolítica
O chapéu vai ser proibido no campo? Entenda essa polêmica
Em nota técnica, CNA explica o Programa de Gerenciamento de Riscos no Trabalho Rural; FAEP descarta a obrigatoriedade do uso do capacete no campo
Agropolítica
Setor de pescado pede que governo de SP barre tilápia do Vietnã
Pedido segue modelo adotado por SC, citando risco sanitário de vírus exótico e questões tributárias que geraram distorção concorrencial
Agropolítica
Agenda do agro no Congresso: veja as prioridades da bancada ruralista neste ano
Em entrevista ao Agro Estadão, o deputado Lupion afirma que a FPA retoma as atividades com foco em pautas como o marco temporal, seguro rural, lei das cultivares e vetos presidenciais.