Agropolítica
BRICS têm nova agenda agrícola com foco em sustentabilidade e segurança alimentar
Declaração Ministerial reúne compromissos para restaurar terras degradadas e ampliar o comércio agrícola sustentável entre os 11 países do bloco
Redação Agro Estadão | Atualizada às 16h48
17/04/2025 - 15:09

Encerrando os trabalhos do Grupo de Trabalho (GT) da Agricultura do BRICS nesta quinta-feira, 17, os países do bloco firmaram uma série de compromissos que irão compor a nova Declaração Ministerial de Agricultura. O documento busca reforçar a cooperação entre os membros em temas estratégicos para o setor.
Entre os principais avanços, estão: a criação da parceria dos países do BRICS para a restauração de terras degradadas; a valorização da agricultura familiar; a ampliação do comércio agrícola sustentável; o fortalecimento da segurança alimentar e nutricional; a pesca e a aquicultura sustentáveis; a promoção da participação de mulheres e jovens; a sustentabilidade e a inovação; a mecanização e a tecnologia para pequenos produtores; a facilitação do comércio com certificação eletrônica e o compromisso com o Plano de Ação 2025-2028.
Durante o GT, os países também discutiram sobre a facilitação do comércio com certificação eletrônica, manifestando apoio à adoção de normas definidas pelo Centro das Nações Unidas para Facilitação do Comércio e Negócios Eletrônicos (ONU/CEFACT), além de defenderem a integração entre as plataformas nacionais de certificados digitais fitossanitários e veterinários. O objetivo é tornar o comércio de produtos agrícolas, animais e pescados mais seguro, ágil e eficiente. Ao Agro Estadão, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, havia apontado o entendimento sobre a certificação eletrônica como um dos principais avanços a serem alcançados na reunião.
Outro destaque do acordo é a criação de uma parceria voltada à recuperação de áreas degradadas, com foco na agricultura sustentável, em florestas plantadas e na segurança alimentar. A iniciativa também pretende impulsionar pesquisas sobre degradação do solo e soluções técnicas, além de estimular o financiamento por meio de bancos de desenvolvimento e do setor privado.
Durante o encontro, o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, ressaltou o papel estratégico do BRICS na liderança de uma agenda global voltada à produção sustentável de alimentos, à justiça social no campo e à inovação tecnológica adaptada às realidades do Sul Global.
“O futuro da agricultura está diretamente ligado à capacidade de nossos países de inovar com equidade, produzir com responsabilidade e cooperar com confiança”, destacou Fávaro. “O BRICS tem uma responsabilidade crescente na arquitetura da segurança alimentar mundial. Somos líderes na produção de grãos, carnes, fertilizantes e fibras”, completou.
BRICS respondem por 70% da produção agrícola do mundo

Coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (Mapa), o encontro reuniu representantes dos 11 países que atualmente compõem o grupo das principais economias emergentes — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Indonésia, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Com expressiva presença global, os países do BRICS respondem por 30% das terras agrícolas do mundo, 30% da pesca extrativa, 70% da produção aquícola e cerca de 50% da população global, o que os coloca em uma posição estratégica no cenário da segurança alimentar internacional.
Além disso, o bloco concentra mais da metade dos 550 milhões de estabelecimentos familiares agrícolas existentes no planeta, responsáveis por aproximadamente 80% do valor da produção global de alimentos.
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