Agropolítica
Acordo Mercosul-UE: governo e Senado discutem defesa para produtos nacionais
Setores como leite e vinhos podem ser impactados, segundo senadora Tereza Cristina
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
11/02/2026 - 13:33

Os senadores Tereza Cristina (PP-MS) e Nelsinho Trad (PSD-MS) se reuniram com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, para tratar de medidas que poderão ser concedidas para produtos nacionais que estiverem em desvantagem com o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O encontro também tratou das salvaguardas que o bloco europeu pode adotar após a entrada em vigor do acordo.
“O que nós viemos fazer aqui é conversar sobre como também trabalhar essas salvaguardas aqui dentro e ver o futuro”, disse a senadora a jornalistas após a reunião na manhã desta quarta-feira, 11, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).
Tanto os senadores como o vice-presidente não deram detalhes sobre medidas que podem ser adotadas, sejam sobre a resposta às possíveis salvaguardas unilaterais sejam sobre a proteção a alguns produtos nacionais. Segundo eles, o assunto está em análise.
Um grupo de trabalho foi criado na Comissão de Relações Exteriores do Senado para acompanhar o acordo e também debater sobre esses pontos. Além de senadores e técnicos da casa legislativa, o grupo deve contar com representantes do MDIC.
Ainda conforme a parlamentar, há alguns setores sensíveis e que precisam de atenção. “Nós temos que trabalhar para que alguns segmentos não sejam fortemente atingidos, como o leite. O setor lácteo passa por uma crise interna. Então, eles têm uma preocupação da concorrência dos produtos que vêm de lá para cá. É isso tudo que estamos conversando e, por isso, o grupo de trabalho na Comissão de Relações Exteriores, para poder ver como vamos ajudar esses segmentos que, no início, podem ter problemas. O setor de vinhos e tem alguns outros”, destacou.
Expectativa de andamento ainda em fevereiro e visita adiada
O vice-presidente reforçou que o acordo deve trazer ganhos para o Brasil não só na agropecuária, mas em outros setores, como a indústria. Ele comentou sobre o trâmite de aprovação do texto do tratado no Brasil e afirmou que os outros membros do Mercosul também já iniciaram suas próprias tramitações internas.
Mesmo com o adiamento da primeira votação do tema no Congresso Nacional, Alckmin manteve a expectativa quanto ao andamento da matéria. “Deve ser primeiro aprovado no Parlasul [representação brasileira no Parlamento do Mercosul], depois a Câmara decide se vai direto para o Plenário ou cria uma comissão especial. Mas estamos otimistas que a gente possa resolver até o fim de fevereiro”, acrescentou.
O senador Trad foi questionado sobre uma visita ao Parlamento Europeu para tentar contornar a situação sobre a judicialização do acordo. Em janeiro, os eurodeputados encaminharam o acordo para o Tribunal de Justiça do bloco europeu, o que pode atrasar a entrada em vigor do combinado comercial. A ideia era promover uma visita à Bruxelas, na Bélgica, sede do bloco, para tratar o tema. No entanto, esse encontro deve ficar para depois.
“Achamos que deveria esfriar um pouco a temperatura para irmos num momento mais apropriado. Não saiu do nosso radar a nossa ida lá”, disse Trad, que também preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado.
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