Agricultura
Cipó-uva: a trepadeira que serve para ornamentação e mel
Planta nativa e rústica que oferece néctar em épocas de escassez e pode fortalecer a produção de mel quando bem planejada
Redação Agro Estadão*
27/02/2026 - 05:00

Com potencial para fortalecer a oferta de flores em áreas de apiários, o cipó-uva (Serjania lethalis) tem ganhado espaço entre apicultores interessados em ampliar a produção de mel.
Esta planta é tóxica para peixes e outros animais quando usada como timbó, mas é reconhecida em diferentes regiões como importante planta melífera, capaz de oferecer néctar para a produção de mel claro, conforme estudo publicado no Repositório Institucional da UFC.
A espécie nativa, além de atrair polinizadores, destaca-se pela rusticidade e pela capacidade de florescer de forma abundante quando manejada adequadamente.
Por que apicultores se interessam pelo Cipó-uva
O cipó-uva cresce se apoiando em outras plantas ou estruturas, forma uma cobertura verde densa e consegue cobrir grandes áreas.
Esta forma de crescer traz vantagens para quem trabalha com abelhas, porque trepadeiras estabelecidas produzem muitas flores quando chegam na época certa, ajudando a completar períodos do ano em que faltam flores para as abelhas.
Quando há escassez de alimento, trepadeiras floridas servem como fonte extra de néctar e pólen, ajudando a manter as colmeias saudáveis.
Como reconhecer a cipó-uva em campo?

Para reconhecer a cipó-uva no campo, observe primeiro como ela cresce: sempre se apoiando em outras plantas ou estruturas para subir. Pode chegar a vários metros de comprimento. O caule é duro e amadeirado, marrom ou acinzentado.
As folhas são grandes, divididas em 3 folhinhas (trifoliadas) dispostas como dedos de uma mão, alternadas no caule. Cada folhinha é oval ou lanceolada, verde brilhante, com bordas lisas ou levemente denteadas, medida de 5-10 cm.
Flores são pequenas, esverdeadas ou amareladas, agrupadas em cachos longos pendentes. Parecem sininhos minúsculos. Os frutos têm três partes aladas que se abrem, cada uma com uma semente preta redonda dentro.
O nome “cipó-uva” pode ser usado em diferentes regiões para plantas completamente diferentes e confundir uma espécie com outra muda tudo: quando floresce, quanto floresce e se as abelhas gostam das flores.
Cipó-uva como a floração sustenta as abelhas e pode influenciar a produção de mel
A produção de mel está diretamente ligada à oferta de néctar disponível no ambiente e à presença de flores ao longo do ano. Nesse contexto, a cipó-uva surge como uma opção complementar de alimento para as abelhas.
Especialistas destacam que o aumento da produção não é resultado automático do cultivo dessa espécie. A cipó-uva contribui para a diversificação do chamado pasto apícola — o conjunto de plantas que nutrem as abelhas —, oferecendo flores em determinadas épocas e somando-se a outras fontes de néctar e pólen.
Embora a flor da cipó-uva apresente características atrativas para as abelhas, o impacto real na produção de mel depende de fatores como as condições ambientais, a concentração de plantas e a concorrência com outras espécies floridas na região.
Calendário de floradas: como encaixar cipó-uva no planejamento do apiário

O planejamento do apiário deve considerar épocas do ano com poucas flores, períodos em que qualquer fonte a mais faz diferença.
A cipó-uva funciona melhor quando complementa outras plantas melíferas (plantas que produzem mel) e quando há continuidade de alimento antes e depois da sua floração.
Para encaixar no calendário de floradas, é preciso saber:
- Em que mês a Serjania lethalis floresce na região;
- Por quanto tempo dura a floração;
- Se coincide com outras plantas importantes.
Conforme informações das referências botânicas, a planta tem época específica de floração que deve ser considerada no planejamento geral do apiário.
O sucesso depende de criar um sistema onde diferentes plantas oferecem alimento em sequência, mantendo as abelhas bem alimentadas o ano todo.
A cipó-uva, quando bem cuidada e integrada ao conjunto de plantas melíferas, pode contribuir para fortalecer o pasto apícola e melhorar a produção de mel da propriedade.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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